O Sol nascente, Japão

 

Japão

 

Esta era a crônica que não queria escrever, não por ser o Japão, pois á muito anseio uma viagem para este tão diferente e longínquo País, mas sim por ser o último da minha lista e com isso o sinal de que esta aventura está muito perto do fim, escrevo estas últimas palavras num Hotel em Saigão, Vietnam, um dos Países que mais gostei e que quase posso dizer que aqui vivi, praticamente 1 mês e meio e a apenas 3 dias de chegar a Portugal ,mas começando e acabando no Japão.

 

O Japão cresceu comigo, primeiro com os desenhos animados, manga,  em que o Vasco Granja teimava em só os mostrar quase no fim do seu programa e depois de levar uma injecção de bonecos e historias dos países de leste que por estas idades nada nos dizia, depois veio a idade dos famosos Gameboys, com o famoso Donkey Kong, dando lugar á altura em queremos parecer cool e ser cool, o que significava que tínhamos de ter uns Walkam Sony amarelo, tinha de ser amarelo, passado esta fase veio o tempo em que a minha mãe, provavelmente mais sofreu, a idade das motas com todos os seus riscos, o Japão dava e ainda continua a dar cartas nesta área, muito sonhei eu com motas, a minha primeira mota como deve ser, tive aos 18 anos, Yamaha TZR 250, sonhei tanto com ela, que quando a tive, passei a dormir com as chaves na mesa de cabeceira para se acorda-se a meio da noite, ter a certeza que não se tratava de um sonho. Ainda hoje, é do Japão e dos EUA, que vem as maiores novidades em TV´s, aparelhagens, Computadores, enfim  na zona onde gasto mais tempo quando vou a um shopping.

Como gosto de contrastes, iria ser presenteado com muitos, a começar pelo clima, vinha de uma Austrália com temperaturas entre os 30º e os 40ºC, passei para -6º e 8, boa mudança, Brrrrrr, de sol para alguma chuva, isto na primeira semana, depois as coisas vieram a compor-se, o Japão é realmente diferente de tudo o que vi até hoje, Tokyo têm mais de 13 milhões de habitantes, viajar no JR ( Japan Railways ) é uma experiência que vou guardar para sempre, especialmente se for em hora de ponta, carregado com duas mochilas, ao género de canguru, com uma bolsa ao peito com um pequeno marsupial lá dentro e com um canguru gigante e pesado ás costas, acrescentado ainda um saco de presentes para os meus sobrinhos, como foi o caso do último dia, nem espaço para mexer um dedo tinha no metro, apesar disso o silêncio é completo, não se fala, nem um pio, no entanto são capazes de se empurrar de uma forma que á primeira vista parece brutal, mas é a única maneira de sobreviver neste mundo dos transportes underground, quem não o faz, ainda hoje provavelmente, estará na estação cheio de teias de aranha á espera de uma carruagem com poucas pessoas e com algum espaço.

Optei por ficar mais tempo em Tokyo ao invés de viajar e passar mais tempo entre destinos, isto porque Tokyo têm tanto para se ver, apesar disso, optei, com algum esforço, pois carregar as malas que por esta altura já pesam, por ficar em 4 zonas completamente diferentes, Ogikubo, Tokyo mais calmo embora, mas já com alguma proliferação do Tokyo mais moderno, foi aqui que fiquei no melhor hotel Cápsula, simplesmente adorei a experiência e todas as outras dormidas na capital foram em hotéis cápsula, têm tudo o que se pode querer, menos o espaço, mas realmente só uso o hotel para descansar o esqueleto e por poucas horas, para se ter uma ideia, a minha cápsula tinha, musica, televisão, tomadas para carregar todos os meus gadgets, Maq fotográfica, gopro, headphones, powerbank, etc…ar condicionado, despertador, água fresca, até mesmo um par de tampões para os ouvidos, não vá um dos nossos vizinhos ser dado a compor uma orquestra sinfónica a meio da noite, para mim a grande vantagem pelo menos nesta zona é ficar entre os locais, só por um dia vi um “western” um “ gaijin” como se diz por aqui, também foi o caso da minha estadia em Õmori, a fazer lembrar o Japão antigo e clássico, ao contrário das outras 2 zonas, mais turísticas, Shibuya, com o seu mais famoso Cross-walk do mundo e da homenagem ao cão, que me fez verter alguma água, ou isso ou na altura entrou-me poeira para os olhos, o famoso Hachiko e Shinjuku, com tudo o que é comercio, é o sitio mais central de Tokyo, com milhares de pessoas na rua. Para além das comodidades da minha cápsula, e da simpatia de todo o staff, o hotel tinha um pequeno almoço, embora com poucas escolhas, ou era Curry Japonês ou era Curry Japonês, mas acompanhado com uma boa música brasileira, umas cadeiras de massagem, as quais usei e abusei, assim como a sauna e os famosos banhos onsen japoneses, creio mesmo que mais umas semanas por estas bandas e  poucos me reconheceriam, voltaria aos meus 20 e poucos tal a diferença no rosto e na pele :).

Os banhos são uma coisa surreal, 15 ou 20 chuveiros, todos com um pequeno banco, mais tarde percebi porquê, toma-se banho sentado, bom para quem, como muitos japoneses, está cansado e dorme em pé quase sempre, como no metro, uma arte que os Japoneses dominam na perfeição, provavelmente trata-se de uma medida para evitar o gasto desnecessário de calorias, a quantidade de cremes para o corpo, cara, cabelo e outros que não arrisquei, pois estavam escritos apenas em Japonês, creio mesmo que o primeiro homem metrosexual apareceu no Japão, a própria casa de banho têm uma retrete digna de um bom filme de ficção cientifica, nas primeiras que entrei e ainda sem perceber grande parte dos caracteres, arrisquei um pouco, ora carregava num botão e sai um repuxo para me lavar o traseiro, ora sai um jacto com diferentes temperaturas, ora cheiros, isto tudo num tampo devidamente aquecido, o meu único receio ao pressionar todos estes botões era que a determinada altura sai-se uma mão sabe-se lá de onde e me esbofeteasse, dizendo em Japonês, " não achas que já chega de brincar com os botões".

Li algures que o tratamento que os japoneses dão aos “ gaijin” pode ser diferente consoante o tempo que por aqui ficamos, tratados como Reis, se ficarmos, entre 1 semana e 2 meses e em turismo e um tratamento mais rude, se por aqui pretendemos trabalhar e viver, só tive o tratamento de Rei, como por exemplo, quando da minha ida para Nikkõ, e sem conseguir encontrar a minha guesthouse, uma senhora abandonou o seu café, e os seus clientes ficaram á espera, para me levar até á porta da Guesthouse, isto realmente acontece no Japão, não sei se por simpatia, acho que sim, ou por que têm medo que nos perdêssemos por lá e assim ficar indefinidamente.

Aliás toda esta experiência em Nikkõ foi fantástica, ambiente de montanha, com onsen com vista para o lago e a neve nos picos da montanha, quedas de água, vila pequena e uma Guesthouse, Sudomari Inn, gerida pelo Kudo Nobuyuki,  uma simpatia, para além do saboroso jantar e dos brindes, “ Kanpai” acompanhados por um bom Sakê, ainda no dia seguinte e sabendo que queria ver uma famosa rua em que um Shogun e sua família plantaram por mais de 20 anos inúmeros Cedros, Nobuyuki disponibilizou-me a levar no seu carro e me mostrar esta famosa rua, bem como, deixar a minha mala no cacifo da estação de comboio, pois o meu comboio só partiria lá mais para a tarde e depois ainda me deixar na zona classificada pela Unesco como Heritage com os seus Templos e Santuários do tempo do famoso Shogun, Tokugawa Leyasu ( 1543 - 1616 ). 

A visita a Kyoto também foi uma aventura, andei pela primeira vez nos famosos Bullet Train Japoneses, apesar de os mais rápidos se encontrarem na Europa, o Japão já pretende ter um outro para bater os Europeus lá para 2040, calculam que a velocidade andará na casa dos 500Km/h, acredito neles, pois eles levam muito a serio estes desafios, quando se está no comboio só se dá pela velocidade quando vemos a paisagem a passar rapidamente e a mudar constantemente, quem têm a função de trabalhar nestes comboios, quando entra e sai de uma carruagem, faz sempre uma vénia, imaginem nos comboios da linha Cascais - Lisboa, alguém vos receber desta forma, com vénias.

Para ver a diferença entre serviços, por aqui perdi a cabeça e marquei 3 noites num hotel de luxo, cerca de 4 estrelas, e acreditem a diferença que se paga não se justifica minimamente, para que preciso eu de um quarto quase do tamanho de um apartamento, o serviço é menos personalizado, mais pessoas, e claro mais “westerns”, foi a primeira e a última vez que o fiz e não se trata de uma questão de poupança, que é enorme, mas sim por que gosto do contacto com os locais, gosto que me dêem a devida atenção e porque principalmente aprendi nesta viagem a dar mais o valor ao custo - beneficio

Para ver a famosa floresta de Bamboo optei por alugar uma bicicleta, a ideia até não era má pois pretendia fazer algum exercício e ver a famosa floresta, o problema é que para lá chegar demorei cerca de 1h e apesar de ter partido ás 7h30, quando lá cheguei já mais de um milhar tinha tido a mesma ideia, chegar cedo, era para esquecer a perspectiva de poder tirar algumas fotos sem a multidão, talvez se tivesse optado por um meio de transporte mais tradicional e chegado por volta das 7h30, talvez.

Como por aqui, kyoto, se estava em plena Cherry blossom, ( até eu, como todos os japoneses, já estou viciado em tirar fotos ao Cherry blossom ), tive oportunidade de tirar boas fotografias com os locais trajados a rigor, umas vezes porque eu pedia e outras vezes para grande contentamento meu, eram eles e elas que pediam, á noite ainda parti em busca das famosas Geishas, sabia a rua por onde por vezes elas circulam e lá parti armado de telefone, Maq. fotográfica e Gopro, consegui ver três, duas acho que filmei com a gopro, provavelmente não se irá ver muito bem pois era noite, senti o mesmo que na Austrália quando vi os golfinhos, ou os Quokkas, um enorme entusiasmo, aliás a última giesha que avistei, cruzou-se comigo, mas fiquei tão surpreendido e emocionado que me esqueci de fotografar ou filmar. 

Curta visita a antiga capital do Japão, Nara, com os seus templos e os veados á solta pela cidade, o que impressiona no Japão é a forma ordenada da natureza, tudo no sitio certo e com as conjugações de cor perfeitas, bem ao gosto dos japoneses, é como se de alguma forma, tenham domada a própria natureza

De volta a Kyoto e passagem pela sede da Nintendo, casa do famoso Pokémon, é enorme o orgulho dos habitantes de Kyoto em ser a casa desta famosa marca de jogos.

Depois de Kyoto, Nara e Nikkõ, volta a Tokyo para ver o que faltava, não faltava muito pois já tinha batido os sitio principais, segui para Yokohama onde uma simpática Japonesa, Mai e sua filha, Riko, me mostraram tudo o que havia para ver, até mesmo a famosa chinatown da zona, foi uma boa maneira de passar o penúltimo dia por aqui, perfeito. Para o último dia tinha guardado uma experiência que tinha visto no Airbnb, Tea and Music Experience with Kimono, com um jovem e simpático casal de japoneses, o meu jeito para música é praticamente zero ou quase, aprender um pouco a tocar Koto e Sanshin, a servir e fazer chá, com a paciência e simpatia da Yuka Sumimoto e seu marido foi uma grande experiência, ainda trocámos ideias sobre viagens, pois eles também são uns ávidos viajantes e tinham regresso á pouco de uma viagem de 4 meses pela América Sul.

Vou ter saudades do Japão, das pessoas, das enormes multidões, da simpatia com que foi acolhido, dos banhos de Onsen que fazia quase todos os dias, do Sushi e Sashimi que comia por vezes ao pequeno almoço, dos Kimomos, da Cherry Blossom e claro das casas de banho :) 

O Japão é mesmo diferente de tudo, porque o mundo é enorme, não gosto de voltar a repetir alguns destinos, mas o Japão, assim como outros que fiz nesta viagem, fazem parte da minha lista “ A regressar “

Que Experiencia 

 

P.S. - esta é a minha penúltima crónica deste meu passeio pelo mundo, irei escrever uma última quando já estiver instalado em Portugal e após reflectir e absorver tudo aquilo que vi, vivi e senti nesta viagem.     

Austrália - Wallabies, Cangurus, Quokkas, Tubarões, Mergulhos, Queda Livre, tudo o que tenho direito

 

Após mais uma semana bem passada na Tailândia lá parti rumo á Terra dos Cangurus, Koalas, do Diabo da Tasmânia, do Crocodile Dundee e de mais uns poucos.

 

A Austrália é enorme, maior que a Europa para se ter uma ideia, quando fiz o Bush Camp, termo mais finesse para acampamento no mato em Uluru, na última noite fiquei numa herdade do tamanho da Bélgica, sim do tamanho da Bélgica, uma só pessoa é dona de 1 milhão de hectares, é uma região inóspita, a meio da Austrália e sítio sagrado para os aborígenes, mas não crendo adiantar-me e começando pelo princípio e começando pelo princípio, aterrei em Perth e aqui talvez com o embalo da Malásia, consegui a minha segunda borla, a primeira coisa que faço mal aterro é levantar dinheiro numa ATM, ora por norma, elas só nos dão notas grandes, o que para pagar uma viagem de autocarro que custa apenas algumas moedas não é muito pratico e nem é possível, estando eu a preparar-me para pagar com uma nota, o motorista olhou para a nota e disse, " this is a free ride" já a pensar, gosto deste País, respondi " really from the Airport to here, free? " Not really" foi a resposta que tive, os Australianos partilham uma característica com os Kiwis, o sentido de humor, gosto disso, a vida têm de ser levada com alguma graça, após mais este feito, não tão grande como pagar menos num restaurante Indiano, lá me instalei por uma semana em Perth, cidade calma com uma óptima qualidade de vida, muitas bicicletas por todo o lado, um dos meios preferidos de deslocação de grande parte dos Aussies,  o que mais me espantou foi a quantidade de Asiáticos, pareceu-me que a maioria vive mesmo por estas bandas, não sei as estatísticas, mas penso que se não estão já em maioria, para lá caminham, pensei mesmo que ainda andava pela Ásia e não pela Oceania.

 

Foi em Perth, mais propriamente, em Rottnest Island, uma pequena ilha a sul de Perth que tive o primeiro contacto com os inúmeros animais que vivem por este País, vi golfinhos, 2 grupos, cerca de 25, Leão Marinho Australiano, Foca Neo-Zelandesa e o tão aguardado Quokka, uma espécie de castor, maior e que parece que se está sempre a rir. Tive sorte porque normalmente não se avista esta quantidade e variedade de espécies animais num só dia, também bati a ilha toda de barco rápido, mais um pouco de adrenalina, e de bicicleta, cerca de 4h de pedal, não foram bem 4h, porque aproveitei para dar uns mergulhos nesta água nuns tons de azul e com uma areia branca de fazer inveja a muitas ilhas das Caraíbas. 

 

Antes de dizer adeus a Perth e aterrar em Sydney, ainda tive tempo para ir a Fremantle ver o Botanical Gardens e ter uma vista privilegiada da cidade. Sydney é uma cidade grande com um ritmo de vida já a lembrar as grandes cidades Europeias e Americanas, mas mesmo assim com uma óptima qualidade de vida, sendo a Austrália uma ilha, percebe-se a forte ligação que os Australianos têm com o mar e com os barcos, inúmeras marinas em Sydney com todo o tipo de barcos, mas os Australianos adoram mesmo é vela, dai a América Cup ter por aqui um valor acrescido, por isso e porque este País é fanático por desporto, pensando bem, têm tudo o que gosto, podia viver aqui umas boas temporadas 😄. Como n&a

 

Não foi bem uma visita á Malásia pois só visitei Kuala Lumpur, isto porque só tinha 5 dias disponíveis, preferi ver melhor a capital e gastar estes dias lá, com muita pena minha, pois Malaca, Penang e outros locais merecem bem uma visita, mas é o problema quando estamos numa viagem mais longa, temos de fazer opções em termos de locais e calcular o tempo para eles , a princípio sofria um pouco com ter de fazer estas opções, mas agora aceito que é impossível ver tudo e deixo também algum tempo para sair da rota escolhida e dar oportunidade ao inesperado, por vezes traz enormes recompensas, como no Laos, Phonsovan, fora do caminho mais percorrido, dei por mim a comer num mercado, só com locais que acharam imensa graça a estar ali com eles.

Esperava ver em Kuala Lumpur a continuação do que tinha encontrado na Tailândia, Myanmar, Laos, Cambodia, Vietnam e Taiwan, traços e olhos rasgados tão típicos desta região, mas não, foi mais como voltar á India, embora a Índia faça parte desta região que tanto adoro, realmente foi uma surpresa e também aqui ao contrário da maioria dos outros vizinhos asiáticos, a religião que predomina por aqui é a muçulmana, isto apesar de existir bastantes asiáticos e segundo me pareceu convivem bem com estas diferenças. Por aqui consegui um enorme feito, consegui um desconto num restaurante Indiano, quem os conhece sabe que isto é um feito de realce, farto de me ver á procura de moedas para pagar o almoço e já com uma boa fila atras de mim, foi um não muito contente empregado, que me disse, está bem assim, aceitado apenas a nota, as moedas iriam continuar a viver na minha mochila. O choque entre o clássico e o moderno está bem presente com inúmeros palácios e construções do tempo da ocupação Inglesa e por exemplo ás mundialmente famosas torres Petronas e que são por si só uma atracção turística para quem visita a Malásia e a sua capital, são simplesmente gigantescas e para as ver melhor á noite, com todas as suas luzes, optei por subir á KL Tower com os seus 420m para gastar um bom rolo de fotografias, bem não foi bem um rolo, mas sim uma boa quantidade de gigabytes. Mais uma vez o alojamento não me desiludiu, é tão fácil escolher onde dormir nos dias de hoje, abre-se a app Agoda ( a mais usada para marcar dormida na Ásia ) ou o TripAdvisor e vê-se os comentários ou a localização, fiquei instalado em plena Chinatown num simpático hostel com os seus funcionários a fazer de tudo para agradar estes turistas que também por aqui já procuram as moedas na mochila, tomar o pequeno almoço no roof top com vista para todo o frenesim de Chinatown é sem dúvida outro dos bons momentos que guardo na minha memória, depois desta curta passagem, ainda deu tempo para visitar várias mesquitas, quase todas por fora, pois os horários para fazer por dentro eram muito restritos, palácios, Torres enormes, Litle India, Chinatown e a KL city gallery onde se descreve toda a história do nascimento de Kuala Lumpur e finalizar com mais uma boa massagem, pois para aproveitar e fazer render bem o tempo que tinha por aqui, fiz quase todos os dias jornadas de 20km a pé, chegado ao final destes 5 dias, completamente esgotado isto também porque ao contrário de Taiwan, onde a temperatura média rondava os 20C, por aqui era mais uns 40C, mas haveria tempo para recuperar com a massagem e novamente com os mimos da Jodie e do Ricardo, pois iria voltar á Tailândia para apanhar o voo para a terra dos Kangaroo's e visitar um local que queria muito ver, pois fazia parte do meu imaginário, Kanchanaburi, provavelmente este nome não diz nada a ninguém, também não me dizia até á uns dias atrás, mas se disser, Ponte sobre o Rio Kwai já fará sorrir aqueles que como eu, assistiram inúmeras vezes a este filme e têm dificuldade em esquecer a famosa música onde os soldados Aliados capturados durante a segunda guerra mundial pelos japoneses assobiavam durante mais um penoso dia de trabalho em condições miseráveis, esta mão de obra forçada veria a dar um contributo importante para a construcção da Ferrovia da Birmãnia, também conhecida pela ferrovia da morte, claro que esta visita só podia ser feita de uma maneira, Comboio, uma viagem de cerca de 5h na companhia do famoso Rodrigo Jr, Godzuki ou simplesmente Digs, como estava de férias da escola, o jovem lá acedeu, com algum contentamento pareceu-me, a embarcar nesta pequena odisseia pelos carris da Tailândia, disse famoso, porque é impressionante o sucesso que este jovem têm junto das Tailandesas, cheguei a dizer-lhe que podíamos ser sócios numa empresa criada para rentabilizar este enorme mercado, já tinha imaginado, aluga-se jovem Rodrigo, á semana ou simplesmente ao dia, iríamos ser ricos certamente, cheguei mesmo a arranjar-lhe um "date" com uma giríssima recepcionista no hotel onde ficámos, ficou combinado para 2022 pois ela era um pouco mais velha que ele. Como sempre, em BKK, não me faltou nada e foi recebido como membro da família pelo Ricardo e pela Jodie com todas as atenções e conforto que para quem já anda pela estrada á um tempo sabe que nem ginjas, para me facilitar o trabalho de casa para a Austrália, a Jodie combinou com um amigo de longa data, Darren, também Australiano e piloto de aviões em Hong Kong um jantar, tinha agora uma lista com o que ver, como ir, até o que comer, acabamos essa noite com uma famosa "boys out Night em BKK", muito bom. O Ricardo e a Jodie fizeram com que a minha aventura tenha até agora sido tão boa, receberam-me como família, vivi como um local e por isso guardo no meu coração uma enorme gratidão. Fechei esta visita de uma semana á Tailândia da melhor maneira possível, a Jodie ofereceu-me um almoço regado a margaritas, entramos no restaurante ás 14h e saímos por volta das 19h já a caminhar de uma forma estranha, á mexicana 😄

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Taiwan

 

É o género de transição que gosto de Hanoi Vietnam para Taipé Taiwan, do desorganizado, trânsito caótico, scooter's perdão mini van por todo lado, paragem nos sinais é mentira, para super organizado, transito menos confuso, um excelente sistema de comboio e fáceis de usar MRT, BST, bullet trains e tudo pontual, devo confessar que o meu coração hoje em dia tende para o primeiro, talvez porque na Europa estamos mais habituados á organização, tudo no seu lugar, é um pouco mais previsível, menos fora do normal.

 

Podia ter tentado programar toda a viagem, mas parece-me uma tarefa impossível, o acaso traz destas coisas e aterrei na melhor altura para visitar Taiwan, o tempo é que está um pouco mais frio do que estava habituado, entre 18 graus e 22 é verdade que nos himalayas apanhei  -10 e de calções, mas isso já foi á mais de 4 meses, parece que foi o mês passado, está tudo a passar tão rápido, infelizmente.

 

Em Taiwan, parece que estou em NY mas na Asia, mais uma vez a sorte ou a orientação divina estava comigo, não sabia o que esperar porque este foi um destino escolhido por impulso, portanto a pesquisa foi praticamente zero, decorria o Latern festival que é celebrado uma vez por ano e traz muitas pessoas a Taiwan e Taipé, o lançamento das lanternas com os nossos desejos para o novo Ano Chinês em plena linha de comboio com os comboios a passarem e os céus iluminados com as lanternas de várias cores é uma coisa que jamais vou esquecer, toda a festa em redor deste Festival, com as ruas cheias de animação, com bonecos por todo o lado, os meus sobrinhos iam adorar. O meu itinerário começou pela visita ao Taroko Gorge National Park, como distava cerca de 3h de comboio e mais uma de autocarro marquei num tour, as primeiras dificuldades na comunicação senti- as logo na estação de comboio onde um prestável motorista me dizia em chinês, coisa que por agora, ainda não domino 😄,  me tentava dizer qual a plataforma e mostrava vários carácteres com o nome da estação onde teria de sair e me fazia o sinal " dormir não" escusado será dizer que fiquei na mesma, mas como sabia a que horas o comboio parava nessa estação acabei por ser bem sucedido neste primeiro contacto com Taiwan, á custa de não pregar o olho a viagem toda, pois a última coisa que queria era acordar para além dos referidos caracteres, na estação estava uma Sra, Madam Sophie, desconfio que este seria o nome adoptado para facilitar a vida a turistas como eu, provavelmente qualquer outro nome que só se acerta á 20 tentativa, o Tour até não estava mal organizado, até porque cobria exactamente aquilo que queria ver, o problema é que, como normalmente em qualquer percurso organizado, o tempo é muito escasso para vermos aquilo que queremos ver, passámos o dia a correr, com horários para tudo, percebo que isto seja necessário, pois com muitas pessoas é impossível manter um horário e roteiro do agrado de todos, enfim lá reforcei a minha ideia de só marcar tours para visita a uma especifica coisa, mas este parque é sem duvida um sítio a visitar numa visita a Taiwan, lindas quedas de água,  gargantas escavadas na montanha com diversas intervenções humanas para fazer passar o progresso como estradas para carros e comboios, o problema é que Taiwan é assolada, em média por mais de 2.200 tremores de terra por ano, o que faz com esta relação homem natureza esteja sempre a alterar-se, se lá voltar, provavelmente não irei ver as mesmas coisas, 2 placas chamaram me atenção neste parque a primeira dizia " use sempre o capacete, pois estamos numa zona de deslizamento de terras" e " passe o mais rápido possível " lembrei-me da Índia com a placa a dizer simplesmente " espere o inesperado", tão diferentes. Tive pena de não ter ficado uns dias por aqui, pois tinham óptimos trilhasse trekking. Regressado a Taiwan e hospedado num excelente hostel por apenas 12USD tenho tudo, um cubo para dormir e descansar o esqueleto, já mal tratado pelas longas caminhadas, ao sol, com malas ás costas, o que descobri é que é o suficiente, super limpo, pequena almoço tipo buffet e quem me conhece sabe bem como adoro a comida á descrição, o único senão era não perceber minimamente o que estava a comer, é o preço a pagar por estar a tomar o pequeno almoço só com locais, casa de banho partilhada, mas certamente mais limpa de que muitos hotéis onde já fiquei e como em viagem gosto de acordar bem cedo para fazer render o tempo, tenho uma casa de banho enorme só para mim, com gel, shampoo e secador incluídos nos 12USD, agua e chá também á descrição com uma máquina mesmo á entrada do quarto, o atendimento é top, não sei se é o receio das críticas nos sites como TripAdvisor ou se são por natureza mesmo muito simpáticos a verdade é que tenho um atendimento mais personalizado do que se tivesse no hotel, tentam sempre recomendar-nos as soluções menos dispendiosas para comer, o que ver e como chegar lá, não quero dizer com isto que abandonei definitivamente os hotéis, até porque de vez em quando também gosto da minha privacidade, mas a verdade é que cada vez menos recorro a eles, os Hostel's são uma óptima maneira de conhecer pessoas com os meus interesses e por vezes queriam-se relações de amizade que vão muito além da viagem, por exemplo em Taiwan, conheci um escritor americano que escreve livros sobre vampiros e imaginem o titulo do seu próximo livro, “ Os Vampiros não vivem em Évora”, é verdade, o mundo é mesmo pequeno, é um apaixonado por Portugal e passou lá uma temporada no ano passado, diz que foi muito bem recebido no Algarve, possivelmente têm um fraco pela dona do Hostel, faz parte neste momento das muitas amizades que foi fazendo ao longo desta viagem, quanto aos Hostels  a única coisa que ainda não entendi é como é que eles fazem dinheiro, devem estar a trabalhar com margens reduzidíssimas. A comida aqui, aliás como em toda a Ásia que visitei é um must, principalmente a street food, um pouco mais caro que Laos, Vietnam, Cambodja, Myanmar e Tailândia mas provavelmente mais barata que o Japão gasta-se á volta de 12 € por 2 ou 3 iguarias feitas na hora. tremor de terra no sul dia 11/02, mais de 2200 tremores de terra por ano em Taiwan. Como não pesquisei muito, pois foi puro impulso que me trouxe aqui, deixe-me perder pela cidade de Taipei por várias vezes e um a um lá fui descobrindo locais simplesmente fantásticos, a estação de comboios principal de Taipei com o seu majestoso edifício lindo tanto por fora como por dentro, o longshan Temple que visitado ao fim de semana com a população local a rezar, têm outro encanto o Chiang Kai-Shek Memorial, que me apanhou completamente desprevenido, parece que estamos na praça de Tiannamen em Pequim, com o render da guarda no edifício principal do memorial, juro que estava convencido que os guardas eram figuras de cera, é que não se mexem mesmo, estava eu a ver uma exposição, penso que itinerante, quando comecei a ouvir um enorme ruído e quando lá cheguei, os bonecos tinham passado realmente a soldados de carne e osso, parecia uma criança com a máquina fotográfica numa mão e a câmara de filmar noutra, o palácio Presidencial também vale uma visita, embora só seja possível vê-lo de fora, o principal museu de Taipei é que infelizmente estava a sofrer obras de renovação e a exposição que lá estava sobre a vida aquática e as antigas tribos que habitavam Taiwan soube a pouco, os 2 trekking que fiz um em pleno vulcão adormecido, onde me perdi, pois recusei-me a seguir pelo caminho mais fácil e para onde foram todos os outros caminhantes, o que escolhi, infelizmente tinha sofrido um deslizamento de terras e apesar das minhas tentativas para contornar este percalço, não alcancei o cume e cheguei já bem á noite á base, mais um ligeiro susto, o outro trekking mais calmo, com uma quantidade infindável de degraus e com as mais variadas inclinações, a vista de lá de cima valeu bem a pena todo este esforço, ainda aluguei uma bicicleta num quiosque virtual onde está tudo praticamente em chinês, com umas raras excepções em Inglês, temos de colocar os dados do cartão de crédito, foi tudo uma questão de fé, mas lá consegui e lá parti nas duas rodas pela cidade, os carros respeitam as bicicletas e não temos de, quando acabamos o nosso passeio, de a deixar no mesmo local, pois existem inúmeros pontos onde o podemos fazer

 

Claro que para o meu estudo sobre a arte da massagem ficar completo tive de sujeitar mais uma vez este já batido corpo a mais uma massagem, não me desiludiu, embora mais cara, fiz até ao que parece, pois a comunicação também aqui foi um problema, embora as inúmeras risotas tanto minhas como de toda a comitiva de massagistas, uma limpeza de pele morta no calcanhar, quase que adormecia, não fosse o receio de a qualquer momento ser sujeito a um qualquer tipo de dor, recomendo.

 

E dizia-me alguém, após ter comprado a passagem aérea para Taiwan " porque é que vais para Taiwan, não existem muitas coisas para ver" como estava errada, existem tantas coisas para ver e fazer que as minhas 2 semanas por lá apenas arranharam a superfície de Taiwan

Com os miúdos de uma das etnias @ Sapa, Vietnam

 

 

Vietnam  - a angústia 

 

Confesso que este era um dos meus destinos mais aguardados, parti com algum receio e ansiedade, pois a expectiva era alta, foi neste estado de espirito que cheguei e que também parti deste País

A fronteira desta vez não foi uma simples passagem, não sei se por ser a fronteira com o Cambodja e o controlo ter de ser mais apertado, mas a verdade é que gastei algumas horas do meu já limitado e precioso tempo neste procedimento, mas enfim, lá recebi o tão esperado carimbo no passaporte que por esta altura já parece os meus cadernos de escola com os mais variados recados dos professores para a minha Mãe, quase todos a exigir algo que um pobre aluno como eu não tinha tempo para o fazer :)

Cheguei directamente a Ho Chi Minh ou como prefiro dizer, Saigão e que mudança, Saigão têm quase a mesma população que a nossa Lusitânia, 8.500 milhões, mas aqui dizem que os censos não são muito fiáveis e que o numero é superior, acredito que sim, mas o que mais me impressionou foi a quantidade de scooters que existem em Saigão e Hanoi, para terem uma ideia quando deixei as minhas malas no hotel e me aventurei pela cidade, estive parado nos sinais e não foi capaz de atravessar a rua, simplesmente vinha-me á cabeça a frase “ he didn´t make it”, felizmente que tinha comigo a Ãn, pessoa muito especial,que têm feito com que esta viagem ainda seja mais especial  e a amiga, que entretanto conheci, que ao ver que os meus pés se recusavam a mexer, me arrastaram pela loucura a dentro, agarrando cada uma o seu braço, felizmente conseguimos, se não fossem elas provavelmente ainda hoje lá estaria, isto apesar de haver semáforos, mas explicaram-me que eles são só usados para decoração, lá seguimos para jantar num restaurante bem agradável, os dias seguintes aproveitei para explorar a cidade, agora sozinho, mas com mais confiança nas minhas aptidões para atravessar a rua, o meu conselho, fechem os olhos e caminhem, rezem para que as motas e os carros se desviem, o truque é ser previsível.

Quem me bem conhece sabe que não sou de grandes cidades, principalmente longas estadias, adoro a Capital Britânica, NY, Lisboa ou mesmo Madrid, mas por tempo limitado, acontece que Saigão é diferente de tudo o que conheci até agora, é uma cidade louca e temos tanto para ver e fazer que aos 2 dias que era suposto ficar por lá adicionei mais 5 dias, uma semana, no total. Com mais estes dias acrescentados tive a chance de visitar o War Remembrace Museum, Palácio Presidencial, Cu Chi Tunnels, onde pode constatar que os Vietnamitas são um povo bastante inteligente e talvez um pouco como os Portugueses, safam-se com o que têm á mão, foi assim que ganharam a guerra do Vietnam, por aqui chamada de American War, diferentes visões da guerra, o que é bastante compreensível e para ser sincero nem sei bem de que lado está a razão nesta guerra, como em qualquer outra guerra, fiz também uma visita ao Mekong Delta, experimentei pela primeira vez um restaurante, Noir, com um conceito bastante interessante, jantar numa sala completamente ás escuras e sem saber o que estou a comer, uma experiência que nos obriga a recorrer a todos os nossos sentidos e percebemos como por vezes eles nos enganam, para além de ter sido uma refeição bastante boa, 4 entradas 3 pratos principais e 3 sobremesas, a acompanhar um bom vinho Chileno, também têm o lado social, pois o restaurante emprega pessoas com deficiências auditivas ou que são surdas-mudas, uma boa causa sem duvida, ver o edifício de onde saiu o último helicóptero americano antes da ocupação pelas tropas do Norte, ao contrario do que a maioria das pessoas pensa, não foi do Palácio Presidencial mas sim de um edifício que era a sede secreta da CIA em Saigão,  aproveitei mais este tempo extra e fiz 2 tours pela cidade pela mesma empresa, sugeridos pelo Alex, um Escocês que conheci o ano passado nos Himalayas e vive por cá á já alguns anos, XO Tours, conhecemos a cidade e a sua historia de scooter guiados por simpáticas estudantes, que adoram o que fazem e que têm mais habilidade para a condução nesta crazy city que eu, é uma certeza, o primeiro Tour para conhecer os locais mais importantes da cidade, a história por detrás deles, os diferentes e menos turísticos mercados e o meu preferido, o Foodie Tour, feito á noite, também de scooter com as entusiásticas jovens, visita-se diferentes e menos visitados distritos de Saigão, paramos em vários mercados e restaurantes para comer com os locais e provar pratos fabulosos, este é um “must do” na visita a Saigão, mas o meu local preferido em Saigão é o Posto de Correio e a Catedral Notre Dame, o posto de correio foi desenhado por Gustave Eiffel , talvez o maior posto de correios da Asia e é uma mistura de Europeu com Asiático, é lindíssimo tanto por fora como por dentro, foi aqui que conheci o Sr.º Duong Van Ngo, já de idade avançada, 87 anos, é o mais antigo funcionário dos correios, nunca faltou um único dia ao seu trabalho, mesmo durante as guerras, sentado no fim de uma longa mesa de madeira debaixo do mural de Ho Chi Minh, mesmo debaixo do sinal “ informações e assistência na escrita “, foi ele que ajudou inúmeros casais de namorados durante as guerras com a França e com EUA, traduzindo e escrevendo ele próprio missivas amorosas em Inglês, Francês e Vietnamita, só posso imaginar as inúmeras e literalmente “ love stories “ que ele deve ter para contar bem como os inúmeros casais de namorados que ele juntou ao longo da vida, infelizmente a idade não perdoa e provavelmente vai se perder toda esta riqueza, aqui no posto de correios e na Igreja é o sitio onde as noivas, os noivos e as madrinhas  escolhem para vir tirar as fotografias para o casamento, já equipados a rigor cerca de 3 meses antes, percebe-se bem porque é quase impossível um noivo ou noiva ficarem com o que se chama cold feet, ou seja não querer casar, pois o investimento que se faz é enorme, recorre-se a um monge budista que lhes indica qual a melhor data para casar, compra-se os vestidos e fatos com uma enorme antecedência, fazem-se as fotografias com o respectivo profissional e convida-se cerca de 500 pessoas, isto é, se o casamento for pequeno, se for maior chega ás 1000 e nos 2 casos existe sempre a possibilidade de aparecer muitas mais pessoas, pois por hábito os amigos convidam mais amigos, acredito que seria um verdadeiro pesadelo para as noivas Portuguesas,  algumas expressões e curiosidades engraçadas do Vietnam, happy room, é nome para casa de banho, se for no mato como muitas vezes o fazemos, passa a ser, jungle Toilet, costumam dizer que comem tudo o que voa menos o avião, tudo o que nada menos o barco e tudo o que anda menos a mesa e a cadeira, no Vietnam e como eu bem pode constatar não se chama scooter ás motas com motor chama-se de Mini-Van e posso confirmar que é verdade, vi 5 pessoas numa mota, 3 a 4 é a coisa mais natural por aqui, a policia nem olha, aqui a policia é conhecida por Pokemom, vestidos de amarelo e nunca se encontram quando é preciso,  estão no café e normalmente o tamanho da barriga denuncia o nível de corrupção que esse mesmo policia aceita,  televisões, frigoríficos, outras motas no banco de trás até cheguei a ver fotografia de uma scooter com uma vaca em cima, uma vaca, mudou completamente a minha ideia do que uma mota pode ou não pode carregar, pode tudo. A comunicação por aqui ás vezes não é fácil mas as pessoas tentam ajudar sempre, lembrou-me de ir cortar o cabelo  a um sitio que me tinham recomendado, ora chegado lá constatei que o jovem dono da tesoura não falava uma palavra de Inglês, somente o sim e o não, tentei explicar-lhe que queria cortar com maquina 6, a principio pareceu compreender e respondeu-me com confiança, yes, mas depois começou-me a mostrar vários livros e revistas com diferentes cortes de cabelo, uns bastante usados e com inúmeras cores, cheguei mesmo a temer  pelo meu cabelo nesse dia, mas felizmente acabou tudo bem, a cidade está a crescer muito rapidamente e mesmo nos arredores onde antes havia casas de pessoas de poucos recursos vê-se agora nascer inúmeros condomínios, a explicação é simples como a inflação é enorme ninguém guarda dinheiro e prefere comprar casas mesmo que não as habitem ou aluguem imediatamente, aqui não existe classe média, ou se é extremamente rico ou pobre, o salário médio na cidade ronda os 250 USD e no campo é ainda mais baixo, é um Pais que vive muito á base da agricultura e são o segundo produtor mundial de arroz, logo a seguir á Tailândia, nas grandes cidades como Saigão e Hanoi vi por diversas vezes, Ferraris, jipes Porsche, Masarati e outros carros que aqui custam mais 300% pois o governo aplica-lhes esta percentagem num imposto, mas mesmo assim conseguem comprar.

 

As paisagens são de cortar a respiração, pode-se ver uma floresta densa no meio de montanhas, ou os pescadores a irem para a faina nos seus pitorescos barcos, como logo a seguir ver campos de arroz salpicados com os tradicionais chapéus Vietnamitas, com as respectivas scooters ou bicicletas encostadas e á espera que os seus donos acabem a tão difícil labuta nos campos, continua a fascinar-me os campos verdes com as palmeiras e aqui também é normal ver os jazigos da família no meio desses mesmos campo, acho que não é um mau sitio para o descanso eterno e transmite mesmo uma sensação de calma e tranquilidade.

Fiz o Vietnam todo de Norte a Sul de autocarro, passando várias horas a contemplar pela janela estas diferentes e bonitas paisagens, como são muitas horas o recomendado é aproveitar e dormir para descansar, o que acho extremamente difícil, pois não quero perder pitada do que se segue e não raras vezes saltava da janela da direita para a da esquerda para não perder nada, o que me deixava por vezes esgotado, para a saúde das minhas costas vai-me valendo as massagens que vou tendo ao longo do percurso, as chamadas free massages ou Bumpy roads, que se não tiver o cinto posto, arrisco-me mesmo a dar umas valentes cabeçadas no tecto.

 

Para além das grandes cidades Saigão e Hanoi, que recomendo vivamente nem que seja apenas por uns dias, passei também por Da Lat onde fiz Canopy, isto é, desci por cordas inúmeras rochas e quedas de água, enorme adrenalina e pude ver no meu relógio que a pulsação estava ao rubro nesse dia, visitei a Crazy house, construída por uma filha de um Presidente do Vietnam, que ainda lá vive e que pretende ,segundo ela, voltar a aproximar o  homem e a natureza, e fui dar asas ao meu apetite por gelados pois a LT ( Litle Dragon ) uma simpática e energética Vietnamita que também adora viajar e gelados conhecia uma casa de buffet de gelados, all you can eat, cheguei até ás 6 bolas, mas não ameacei o recorde da LT, 9 bolas e ela já me mandou uma mensagem a dizer que conheceu um miúdo que chegou ás 20, Nope este recorde não o vou bater, depois de Da Lat entre outros sitio parámos em Bai Xep onde aluguei uma scooter, Pedro sempre Honda :), ou melhor uma mini-van :) por 4USD, fui me perder na cidade e encontrei o mercado de peixe junto ao Porto, muito interessante assistir á compra e venda do peixe, riam-se imenso quando me viam a filmar ou a fotografar, o cheiro não era nenhum Boss mas valeu a ofensa ao meu olfacto. Hoi An, cidade ancestral e onde se lê para meu grande contentamento “ Walking and bike City” também é um local onde vale bem a pena uma paragem, embora se a paragem for longa demais a viagem pode bem ficar por aqui, pois é um paraíso para compras, fatos, vestidos, camisas, sapatos, enfim tudo feito á medida e em 2 dias e se pretendermos e tivermos dinheiro, com os melhores tecidos que podemos imaginar, tudo mais barato daquilo que se paga na Europa por tão boa qualidade e serviço, aqui confesso que perdi a cabeça e segue neste momento um avião com dificuldade em levantar voo para Portugal com as inúmeras coisas que comprei, por esta altura o meu cartão de crédito recusava-se a sair do hotel após uma noite de bom uso, dizia que estava cansado.

Nesta viagem tenho sido bafejado pela sorte ou tenho ajuda divina, quem sabe se da minha avó, decidi sem pesquisar nada e sem saber nada do País comprar uma passagem de avião para Taiwan, foi puro impulso, após ter visto um placar com inúmeros destinos, sempre quis fazer isto, comprar uma passagem sem meditar muito, ver aonde o destino me leva e apenas alguns dias após comprar esta passagem, eu, a Julie e o Andreas fomos fazer um curso de cozinha Vietnamita, com algum receio meu, pois eu na cozinha não é uma cena agradável de se ver e o risco de algo correr mal é enorme, um pouco como ter de ser eu próprio a arranjar a minha bicicleta, enorme falta de talento,  para grande surpresa minha estava lá para o curso, um casal, Sarah americana e Elia canadiano a viverem em Taiwan, claro que tenho agora uma lista do que fazer por Taiwan e o que ver, tirando os famosos Lady boys, até agora tudo têm se encaixado da melhor maneira possível e contribuído, sem duvida para aquilo que está a ser a aventura da minha vida.

Como fiquei alguns dias por Hoi An, aproveitei e aluguei novamente uma mota, não é que não queira fazer as pazes com a minha amiga do pedal, mas a verdade é que há tanto para ver e fazer que não tenho tempo se for a pedal, mas vou sempre com um peso na consciência, e fui conhecer Da Nang, antiga grande base americana e cidade que o governo Vietnamita pretende como modelo para as restantes cidades, tudo bem organizado, sem muita confusão, rede Wi-fi grátis por toda a cidade, os seus habitantes podem mesmo usar os serviços médicos sem ter de pagar alguma coisa, enfim um sem numero de benefícios, para além da cidade também queria ver a marble mountain que me diziam que valia a pena visitar, e realmente valia, além disso tinha como guia local a simpática Dong Doong, amiga da Ãn que se disponibilizou para me mostrar a sua cidade, depois do dia a percorrer a montanha e a circular pela cidade, acabamos por fazer um almoço tardio, eu a Dong Doong e a sua irmã que entretanto se juntara a nós, comi muito bem pois as escolhas foram feitas por quem sabe e o preço, pois como agradecimento pelo tempo que passaram comigo e por toda a amabilidade ofereci o almoço, qualquer coisa como 3 pessoas 9 euros, isto com vários pratos. 

Após esta estadia mais prolongada seguimos para Hue, Heritage site da Unesco e antiga capital do Vietname, com a sua cidade imperial, visitamos depois a chamada DMZ onde uma ponte separava o Vietnam do Norte do Sul e provavelmente a zona com maior concentração de tropas e armamento na guerra Norte - Sul, visita também á vila onde ocorreu o massacre my lai e onde entre 347 a 500 pessoas foram assassinadas por tropas americanas, outro momento que nos faz parar e reflectir, por vezes só conhecemos um lado dos factos ou só cremos acreditar num dos lados, mais uma quantidade de vidas perdidas sem razão aparente, rumámos depois a Phong Nha (  Parque Nacional com mais de 100 cavernas e que se acredita que haja mais 100 por descobrir ), lindo, aqui tive mais uma party night, tinha combinado com os jovens Noruegueses festejar a passagem do ano Chinês, combinamos abrir as hostilidades ao jantar, mas eu comecei mais cedo, cheguei á recepção do hotel antes dos meus amigos e os locais que lá se encontravam convidaram-me para partilhar o vinho com eles, assim de repente e sem nada no estômago e após vários brindes tinha já virado 5 copos de vinho tinto, pensei, será que chego vivo ao jantar, a meia noite parecia-me bastante distante e seria improvável que lá chega-se a este ritmo, mas cheguei, e eu, o Andreas e a Julie fomos os últimos a sair do bar por volta das 3h30 e já bem bebidos, a manhã e viagem para Ninh Binh não ia ser fácil, chegámos ainda por altura da passagem de ano Chinês e tivemos o privilegio de o passar com os locais, o dono do Hotel convidou-nos mesmo a partilhar o jantar com ele, a família e os empregados, éramos uma verdadeira sociedade das nações á mesa, vietnamitas locais, Alemães, Dinamarqueses, Canadianos e os meus amigos Noruegueses 

Ninh Binh é outro local bom para relaxar, alugar uma bicicleta e misturar-nos com os locais pois eles anseiam por poder falar connosco e tirar fotografias

Chegada á capital, Hanoi, cidade grande, com transito caótico, um pouco á semelhança de Saigão, embora me pareça que têm menos motas mas as ruas tornam-se mais estreitas ás horas das refeições pois as pessoas vão colocando bancos ao longo do passeio e quando este já não é suficiente passa-se para a estrada, o que origina um verdadeiro caos, mas que toda a gente parece compreender, visita aos lugares emblemáticos da cidade, Mausoléu de Ho Chi Minh, antiga casa onde ele viveu, diferentes templos, museu da guerra entre outros, ainda tive a sorte de por simples acaso reencontrar o Sydney e a Johanna, os 2 simpáticos Britânicos, também viajantes de longa duração que fizeram parte do Laos comigo e o Camboja, lá combinamos um jantar para falarmos de Países passados e futuros, muito bom este reencontro. Como ainda tinha alguns dias até dia 06, dia final para o meu visto, decidi fazer um trekking no Norte do Vietnam, Sapa, local com campos de arroz em socalcos, com cores fantásticas e com uns trekkings de elevado grau de dificuldade, especialmente se chover, cheguei aqui de comboio, pois ainda não tinha tido a oportunidade de experimentar este meio de transporte que tanto gosto por estas bandas, infelizmente só havia disponibilidade para viagem noturna, não vi muito, mas em compensação dormi novamente lindamente e pode praticar o meu Português novamente pois a minha cabine era de 4 camas e as restantes 3 camas eram ocupadas por uns simpáticos brasileiros que estavam praticamente a começar a sua viagem pelo sudoeste asiático e disponham de 2 meses para o fazer, chegado a Sapa, fui conhecer o meu grupo para os próximos 2 dias de trekking, Lala, a pequena e querida guia Vietnamita, Rose, Americana de Miami, enfermeira e como eu, uma amante das fotografias dos sorridentes locais, Tyler, também Americano de Las Vegas, 3 jovens dinamarqueses de Copenhaga e o Leonardo, Alemão a estudar na Coreia do Sul, mais tarde viriam a juntar-se para a dormida na homestay da vila um grupo de 4 polacos

 

Para fechar o Vietnam com a chave de ouro guardei a boat trip em Halong Bay e as suas 2000 ilhas para o fim, decisão acertada, dormir no barco rodeado por ilhas, acordar e olhar pela janela, ver toda esta beleza reunida ao som da aula de Tai Chi que alguns dos meus colegas decidiram fazer no convés foi outro dos meus momentos altos desta viagem.

No momento em que escrevo estas palavras sinto aquele aperto, aquela ansiedade quero que está viagem não acabe, engraçado, senti está mesma sensação, um aperto no estômago uma tristeza súbita, quando tive de me despedir do Henry e da Lucy, no Camboja, decididamente as despedidas são um sofrimento para mim, mas nunca o tinha sentido por um País e não é pela companhia, um grupo que acabou de se formar, ainda não houve tempo para criar relações de afecto, para além disso tenho o chamado período de luto, ao criar outras relações rapidamente sinto que estou a trair a memória dos tempos vividos com este simpático casal Kiwi, sou um introvertido por natureza, demoro tempo a criar laços com as pessoas, embora esta viagem de alguma maneira têm vindo a alterar esse facto, uma característica que aparentemente partilho com o meu sobrinho, quando nos temos de despedir de alguém, normalmente optamos pela fuga, talvez com a ideia que se não nos despedirmos, essa pessoa continua presente, embora já tenha a sensação que o Andreas e a Julie, dois simpáticos Noruegueses, futuros médicos, actualmente a estudar em Budapeste, de alguma forma venham a atenuar a falta que sinto dos 2 amigos Kiwis, pois são muito simpáticos, partilham gostos semelhantes comigo e tenho um feeling que serão mais 2 a juntar á minha lista de amigos que vou fazendo ao longo desta jornada.

Nunca pense que um País me deixa-se marcas tão profundas, um aperto no estômago, um sentimento de perda, uma ansiedade enorme, estes sentimentos não me são de todo estranhos, já o sentira, numa escala mais elevada, com a partida prematura da minha Avó, com a perda de alguns amores ao longo da minha vida, com os melhores amigos do Homem que infelizmente têm uma vida muito curta, mas nunca por um País, o Vietnam teve esse efeito em mim, não, não é o País perfeito, têm mais turismo que o Laos e Myanmar, mas menos que a Tailândia, têm segundo me contam alguma corrupção, mas também têm pessoas de sorriso fácil, amabilidade por tudo o lado, comida maravilhosa, os melhores cafés do mundo e ao contrário da Tailândia, o País ainda mantêm a sua Arquitectura tradicional apesar de se notar, especialmente nas grandes cidades, muita construção moderna, espero que não estraguem esta coabitação mais ou mesmos pacifica entre o antigo e o moderno, mas pelo sim pelo não venham nos próximos 5 anos, depois disso não sei não.

Quanto a mim, desconfio que ainda durante a minha viagem volte aqui, nem que seja para uma breve visita

 

Next stop Taiwan

Sorriso traquinas na escola

 

Cambodja 

  

Entrada no Cambodja, agora com a comitiva uma vez mais reunida, eu, Henry, Lucy, Alina, Anna, Benni e o recém chegado Jeremy, mais tarde viríamos novamente a ter a companhia do Sidney e da Johanna, feita sem stress, 2 notas de 1 dólar no meio do passaporte permitem paz de espírito, aqui chama-s agilizar o processo, sem estas 2 notas, o oficial responsável  pode passar o nosso passaporte para o fim da lista, o que implica umas poucas horas na fronteira com um inteiro autocarro cheio de turistas como eu á espera. O Cambodia é um Pais com paisagens, como os seus vizinhos, deslumbrantes, é pena é que o povo Khmer tenha tão pouco cuidado na sua manutenção e sobretudo na falta de cuidado em relação ao lixo, plástico e outros desperdícios, em alguns sítios existe um real esforço para contrariar esta tendência, em contrapartida este povo é do mais afável que encontrei. Desde a queda de Angkor,1431, e do poderoso império Khmer que o Cambodja vive tempos difíceis e conturbados, saqueado pelos seus vizinhos, colonização francesa século 19, bombardeamentos americanos em 1970 e mais tarde o reinado do Khmer Rouge onde o seu líder, o infame Pol Pot, cometeu as maiores atrocidades contra o seu próprio povo, mandando assassinar toda a massa critica do Pais, fossem professores, advogados, médicos ou intelectuais e seus respectivos familiares, para evitar vinganças futuras, os pouco que sobreviviam eram enviados para os campos, a ideia era criar uma sociedade onde todos fossem iguais, sendo auto-suficientes, mas para isso a sociedade em termos de pensamento tinha de ser nivelada por baixo, estupidificando todo um Pais,  um louco. 

 

Foi neste País que experimentei os altos e baixos, o "sweet e o sour," o doce e o amargo da minha viagem, no lado doce, jamais esquecerei a visita que fizemos a uma escola numa pequena Vila, Kampong, antes desta visita fomos comprar alguns presentes para dar ás crianças, normalmente não gosto de dar doces, mas todas as outras alternativas de presentes estavam esgotadas, pois os meus companheiros de viagem já tinham açabarcado todos as outras possibilidades de ofertas, fiquei-me pelos chupa.chupas, arriscando a ser um dos mais procurados pelas crianças e não estava errado, pela primeira vez experimentei a sensação de enfrentar uma multidão em fúria, eram as dezenas em cima de mim, trepavam pelos meus braços, o frasco de chupa-chupas não iria resistir mais de 30 segundos não fosse o nosso guia vir em meu auxilio, mas valeu a pena ver aqueles sorrisos, mais tarde e para grande contentamento da miudagem fizemos um jogo de futebol, nós, cerca de 6 contra 20 miúdos e miúdas, uma alegria para todos, para eles e para nós, também guardo boas recordações da visita aos templos em Siem Reap, Angkor Wat é realmente deslumbrante e experimenta-se um pouco a mesma sensação que temos em Macchu Picchu ao contemplar este grandioso templo, como foi possível realizar tão complexa e bonita obra naquele tempo, sem os recursos de que hoje dispomos, mas para ser sincero o templo que mais gostei foi um mais pequeno, Ta Prohm, agora mais conhecido após o filme com a Angelina Jolie, Tomb Raider, a razão por ter gostado mais deste templo não foi a possibilidade de encontra a Angelina ao virar da esquina, embora esta possibilidade não fosse de menosprezar, agora que voltou a inscrever-se no clube das disponíveis :) mas sim porque ao contrário de Angkor Wat, este é um templo que a natureza combate lado a lado com a  mão humana e está claramente a recuperar o que é seu, criando umas imagens de inigualável beleza, as raizes das enormes e centenárias arvores, algumas já sem vida mas um viveiro para fungos que se continuam a alimentar, parecem polvos a agarrar a grandiosa obra que o Homem criou, o tour de bicicleta pelo campo onde conhecemos como se vive no campo, o espectáculo que assistimos e que recomendo a quem visite este País, Phare Circus, onde se conta através  de um espectáculo de teatro, acrobacia, humor, pintura e música, a história mais recente do povo Khmer, recuperando jovens que vêm de condições difíceis e aos quais se dá uma oportunidade na vida, para além do mérito da iniciativa o espectáculo é realmente muito bom, ainda do lado doce as floating Villages e os seus mercados nos vários canais do rio, a Party Night com o Henry, a Lucy e a Anna com muita cerveja e Tequilla, por estes dias só me dou ao luxo destas festas de 2 em 2 meses pois as recuperações são lentas e difíceis, a estadia em Koh Rong uma ilha com as famosas areias brancas, água azul clara e a temperatura que nos permite ficar horas de molho, nesta ilha pode-se viver o ambiente de festa com música, espectáculos na areia, bons restaurantes, etc.. mas andando uns escassos 200 metros, estamos completamente isolados rodeado por palmeiras, coqueiros, e uma praia só para nós, a passagem de ano em Rabbit Island e em plena festa com os locais,  mesmo a viagem da ilha de Koh Rong para Sihanoukville onde as condições de mar eram péssimas, o barco passava inúmeros segundos completamente no ar, tal era o tamanho das vagas, os cerca de 25 passageiros sorriam, mas era um sorriso nervoso, também eu estava apreensivo e agarrei o colete que estava mais á mão, pelo sim pelo não, o piloto do respectivo barco teria pouco mais de 17 anos, embora na tentativa de parecer mais velho, tivesse deixado crescer um cómico buço, a visita que recebi a meio da noite de um considerável lagarto na minha cabana, a ida ao mercado de marisco de Kep e comer lado a lado com os locais,  o Nacional Park de Bokor, os nascer e por do sol que presenciei nas margens do rio em Kampot, até o ataque de um macaco em pleno almoço num dos outros templos que visitámos em Siem Reap, podia dizer que era um enorme gorila para embelezar a historia daqueles que já só se encontra em alguns países infelizmente, mas não, era um macaco que me dava pelo joelho que se chegou a nós rapidamente e se aproximou, o que originou uma debandada no nosso grupo, eu foi dos mais lentos, fazendo com que a atenção do respectivo gorila :) se vira-se para mim, com uma rapidez incrível dei por ele a puxar-me as calças, teria até achado graça e provavelmente até tentado tirar uma fotografia não fosse o meu guia fugir a sete pés e gritar-me “ give it, give it”, ora este give it implicava 2 opções uma garrafa de água que tinha na mão esquerda e a fruta que tinha na mão direita, optei por lhe dar a água, mas o macaco, continuou a puxar-me as calças, o macacão queria era a fruta, após mais uns berros do guia lá larguei a fruta e afastei-me com uma considerável ligeireza, a companhia nas mais diversas aventuras da Lucy, do Henry da Anna, do Benni, enfim de todos, tudo isto faz parte dos meus bons e sweet momentos vividos no Cambodja.

Do lado dos baixos, do amargo, a minha primeira e até agora única intoxicação alimentar, não posso dizer que o tenha tentado evitar a qualquer custo, comi practicamente em todo o lado embora obedecendo a um conjunto de regras, comer nas bancadas que têm mais locais ( os locais são quem melhor sabe se o vendedor é de confiança ou não) , evitar gelo nas bebidas, ter algum cuidado com os vegetais que se vendem nas ruas, enfim regras de bom senso, podia fazer como uma alemã que conheci em Bangkok que estava a 2 semanas a comer apenas arroz branco, que diabo, quem é que vêm para o Sudoeste Asiático para comer apenas arroz branco, para mim parte deste encanto que tenho por estes países também advém da comida, que é mesmo muito boa, mas não, comi nos mercados com os locais, nas bancadas de rua, experimentei as mais variadas iguarias, algumas das quais nunca pensei em comer, mas o que atraiçou o meu estômago foi uma sopa de Barracuda, optimista como sou e como levou bastante tempo até que esta sopa chega-se á minha mesa, disse ao Benni “ o peixe é tão fresco que eles foram agora ao mar pescar a referida barracuda”,  não o problema, como diria o meu amigo Pedro, era que a referida Barracuda já dormia no restaurante a algum tempo e o resultado foi uma boa dor de barriga, grande dor de cabeça e um cansaço enorme, nesse dia foi para a cama ás 18h, acordei ás 10h e foi dormir para a praia mais 3h, não foi das intoxicações mais fortes porque graças a Deus a quantidade de peixe na sopa não era muita, mas Barracuda está fora da minha lista de comida por agora.

 

A visita aos chamados Killing Fields e á prisão S-21, foi sem dúvida o dia mais triste e onde tive vontade de chorar, como é possível pegar em crianças, bebés, adolescentes e matá-los de uma forma barbara, contra uma arvore, com um bastão e de outras repugnantes maneiras, como é que um louco como Pol Pot em apenas 4 anos quase aniquilou um terço do seu próprio povo e a comunidade internacional optou por fechar os olhos, este genocídio aconteceu durante os anos entre 1975 e 1979, onde já havia meios de informação, este foi sem dúvida o dia mais emotivo até agora, mas para conhecer a história, o povo e para procurar que estes momentos negros não se voltem a repetir é necessário ver com os nossos próprios olhos e sentir no local.

 

Embora numa nota completamente diferente também o momento em que tive de me despedir do Henry e da Lucy também foi um dia de poeira no olho, realmente gostei muito destes 2 kiwis, vivemos juntos parte do Laos e todo o Cambodja juntos, vou ter saudades deles, embora quando nos despedimos fizemos a promessa de nos voltar a ver no futuro

 

Next stop  - Vietnam

 

 

Nascer do Sol de Balão sobre Vang Vieng, Laos

 

  

O Laos era um dos destinos que escolhi com o pressentimento que ia gostar, não só pelo que tinha lido e visto, principalmente fotografias, mas também por um pressentimento, um pouco como aquando da minha visita a Argentina, é bom quando a expectativa é  confirmada ou mesmo superada.

 

Parti de Chiang Rai com a Alina, que entretanto tinha reencontrado em Chiang Mai, onde eu e o May Tai a convencemos a não comprar um Tuk-Tuk, principalmente devido aos problemas que poderia vir a ter com a policia, a ideia até era boa, mas era muito arriscado, nessa aventura ia ficar certamente de fora, felizmente que optou por alugar um carro e combinámos encontrar-nos novamente para partir juntos para o Laos, tivemos também a companhia do David e do Haseeb, Ingleses, Pao do Laos e da Bonnie, americana e que nas 3 semanas que tinha de férias trouxe toda a sua casa ás costas, a mala pesava uma tonelada, mas podia encontrar-se todo o tipo de coisas, secador, cheiro para casa de banho :), e até almofada, além disso era uma verdadeira profissional na arte das selfies. Lá partimos para a fronteira, cruzar a fronteira é para mim um momento de ansiedade e nervossismo é como a entrada numa oral na faculdade, sempre com a sensação que alguém me vai dizer “ tivesses estudado mais, melhor sorte para a próxima", ou neste caso, "não me parece que a foto seja a mais indicada, o visto não é válido, hum, este passaporte parece-me suspeito”. mas lá passámos com distinção, nem sequer demoramos mais de 5 minutos. Primeira paragem em Ban Houayxay, cidade pequena mas já se nota a influência francesa na arquitectura, foi aqui que levantei o meu primeiro milhão, 1.000.000 de Kips, uma fortuna, qualquer coisa como 115 €, fomos jantar a um simpático restaurante para festejar esta entrada de rompante  no clube dos milionários, nos dias seguintes ia ter mais umas aventuras que dificilmente esquecerei, descida do rio mekong de barco, um barco para mais de 30 pessoas, mas que só nos levava a nós, cerca de 9 pessoas, incluido o comandante, um jovem aprendiz e uma cozinheira para nos preparar os vários pitéus para os próximos 2 dias, experiência única e que espero voltar a fazer, assistir ao por do sol, nascer do sol, espreitar para o dia a dia das pequenas comunidades que fazem a sua vida neste rio, foi sem dúvida mais um dos momentos altos. Depois deste festim para os meus olhos e regalo para o meu estômago, a cozinheira era de primeira água, pernoitámos numa pequena vila, a dormida nesta vila foi previamente negociada com o chefe da aldeia e o que pagámos pela dormida e alimentação seria aplicado na própria vila, em benfeitorias na escola, em livros para as crianças ou noutras necessidades urgentes. Depois do jantar foi nos oferecida uma cerimónia de boas vindas e desejo de uma vida feliz, toda a vila compareceu, pelo menos para mim pareceu toda a vila, cerca de 30 pessoas e algumas crianças, a cerimonia consistia, em depois de uma espécie de rezas, tínhamos de acompanhar o chefe da aldeia nos brindes, posso dizer que uisque de arroz não faz parte das minhas bebidas de eleição, e se os 2 primeiros até nem custaram muito, os dois outros seguintes foram em pleno esforço, por esta altura o chefe da aldeia era todo sorrisos e as doses tinham aumentado consideravelmente, sentia o uisque a querer sair  pela boca, parecia que este néctar circulava entre a cave, estômago, e o r/c, boca, depois desta pequena bebedeira, as Sras. presentes começaram a cantar e a colocar pulseiras nos nossos pulsos, como eram cerca de 30 Sras. e cada uma colocava 2 pulseiras, tenho agora cerca de 60 pulseiras, 30 em cada braço, depois do fio colocado pelo monge Budista, agora estas pulseiras e uma vez que ainda falta algum tempo para o fim da minha aventura, temo que vou chegar a Portugal como uma múmia, só se vão ver os olhos :). no dia seguinte acordei com uma ligeira dor de cabeça, mas não tão mal como o David, que para além dos 4 uísques ainda seguiu para mais uns 3 copos  num animado jogo de cartas, dizia-me no dia seguinte um David bastante ressecado “ estou mal disposto por causa do barco”, nem sequer lhe passou pela cabeça que a origem deste mal estar era a comida, o arroz, ou neste caso o uisque de arroz que tinha abusado na noite anterior. 

 

A aventura do barco terminou perto de Luang Prabang, onde apanhámos um Tuk-Tuk para chegar á cidade, decorria por esta altura o Luang Prabang Film Festival e mais uma motivo para festa nesta cidade património da Unesco, muita animação, mercado de rua, bares e cafés trendy´s, aqui decidi ficar mais um tempo, fiz um hop-off do meu autocarro e despedi-me destes meus novos amigos, eles tinham de continuar a sua viagem pois não tinham tanto tempo como eu, aproveitei esta minha estadia mais prolongada para visitar uma “Rice Farm” e ver todo o processo desde o cultivo do arroz até ao famoso prato “ Sticky Rice”, ver como se cultiva, o trabalho dos  Búfalos de água, aqui o recurso a máquinas é privilégio de apenas alguns, muito poucos, no fim tivemos uma degustação de vários tipos de arroz. Depois de mais 2 dias a passear pela cidade eu e a Alina, que também tinha feito um hop-off decidimos sair da chamada rota normal, e seguir para Phonsovan, a chamada colinas do paraíso, onde pretendíamos visitar a Plain of Jars, onde se encontraram restos humanos do Neolítico até ao século 19, ainda existem muitas dúvidas em redor deste local e visitar um dos locais mais bombardeados pelas tropas americanas durante a guerra do Vietname, uma vez que esta zona fazia parte da chamada rota Ho Chi Minh. Esta viagem teve os seus percalços, calculávamos chegar de madrugada, uma vez que a viagem era longa, optámos por um sleeper Bus, mas  ao invés da viagem durar a noite toda, chegámos por volta das 2h30 da madrugada, por esta altura todos os hotéis ou estavam fechados ou cheios, uma vez que só tínhamos marcado dormida para a noite seguinte, acampámos literalmente no chão da recepção, noite não muito bem dormida e com alguma frio, por aqui as temperaturas rondam os 14C, coisa a que já não estávamos habituados, de manhã partimos em busca de motas para alugar, lá se arranjou uma alternativa ás motas japonesas, uma “ espectacular Kolao” que tremia toda ao bater os 80km/h.

Ao ver e saber a história por detrás destes bombardeamentos senti uma profunda tristeza, o Laos apesar de não estar envolvido na guerra foi o País mais bombardeado, 270 milhões de bombas foram largadas no Laos, cerca de 30% não explodiram e uma grande parte delas ainda se encontra no solo, onde uma criança ou um simples agricultor arrisca-se a perder a vida, isto porque para além do Laos fazer parte da referida rota e os americanos querem cortar as linhas de abastecimento ás tropas Vietnamitas, também tinham ordens para, se não encontra-sem os referidos alvos, largar toda a carga de bombas sobre o Laos porque era perigoso aterrar com o carregamento de bombas, trágico para este simpático povo, no tempo todo que estive no Laos, não encontrei nenhum ressentimento, nem mesmo para com os americanos, simplesmente sorrisos e palavras amáveis. Por esta altura festejava-se o dia Nacional do Laos, onde os Laocianos se vestiram a rigor com os seus famosos coloridos trajes e eu tive opurtunidade de brincar com o fogo e almoçar num mercado apenas com os locais, claro que obedeço a algumas regras básicas, escolher as bancadas que têm mais pessoas, os locais são quem melhor sabe se a comida é fresca ou não, evitar legumes crús, beber água engarrafada e sem gelo. Na viagem de regresso a Luang Prabang, partilhámos um pequeno autocarro de 9 pessoas com 10,  as malas iam no tejadilho e pareciam a torre Pisa, só estava à espera de ouvir o estrondo delas a caírem, como não havia mesmo mais espaço nem para um alfinete no tejadilho ainda viajámos cerca de 8h com sacas de ração por baixo dos pés, com os 6 locais a rirem-se imenso, aliás quando olhei para o banco de trás um dos locais dormia tranquilamente no ombro de um incrédulo Francês. No dia seguinte ia voltar a entrar no autocarro, hop-on e conhecer os meus companheiros para o resto do Laos e possivelmente para grande parte do Cambodia. 

 

Henry e Lucy da Nova Zelândia, Sidnei e Joanna de Inglaterra e a Anna da Austrália eram os meus novos companheiros, mais tarde viriam a juntar-se o Benni da Suíça e o Jeremy do Canadá, se já simpatizava muito com os Neo-Zelandeses, pois têm uma capacidade de humor que aprecio, depois de conhecer a Lucy e o Henry, ainda fiquei mais fan da Nova Zelândia, foi muito bom partilhar grande parte desta aventura com eles, aliás quando nos despedimos, já no Sul do Cambodia, eles tinham de seguir viagem para o Vietname e eu ainda tinha mais uns dias até o meu Visto ter validade, pareceu que nos entrou poeira para os olhos ao mesmo tempo, realmente as viagens não são só os locais, também são as pessoas e o Henry e a Lucy são sem dúvida mais dois grandes amigos que fiz, aliás ficou prometida uma visita a Portugal, espero que sim, gostaria mesmo de os receber e lhes mostrar o nosso cantinho.

 

Mas antes de passar para o Cambodja, uma vez que estou sempre um Pais atrasado no meu blog, seguimos para Vang Vieng, Party Town, onde juntei mais uma grande memória para mais tarde recordar, ver o nascer do sol de balão sobre as montanhas e o rio, experiência assustadora e ao mesmo tempo fantástica, foi muito engraçado ver como todos nós nos mexíamos no cesto do balão, todos os movimentos eram feitos muito devagar e quase em silêncio, não sei se era por causa do momento especial que estávamos a presenciar ou se era para não causar problemas no referido balão,   visitámos a Kong Lor cave e ficamos num lodge todo em madeira, junto ao rio e com 3 simpaticas raparigas que trabalhavam lá e que se partiam a rir com as nossas escolhas para a refeição, a seguir parámos na capital e ainda tive oportunidade de fazer um Jungle Trek, perto de Paksé  com estes dois novos amigos, fomos á procura do melhor preço para o referido Trek, e se há uma coisa que melhorei foi na arte de regatear, não ao nível de amigos e principalmente amigas como a Margarida :), mas existem progressos, encontrámos uma loja que organizava o Trek que queríamos, uma vez que já tínhamos feito a rota das quedas de água com as nossas recentes motorizadas alugadas, aqui lembrei-me do Pedro, amigo entendido nesta coisa de motas, só haviam 2 motas, uma Honda e uma Yamaha, Honda sem problemas, Yamaha, andava aos soluços e posso quase jurar que via o ponteiro do deposito de gasolina a andar rapidamente para baixo, quando existe Honda na oferta, a escolha é obvia, sempre Honda, optámos por fazer um Jungle Trek que nos tinham dito que era praticamente plano, fácil e durava "apenas 4h”, como queríamos fazer uso da capacidade recentemente adquirida da arte de regatear, passámos uma boa parte do tempo entre a primeira e a segunda loja a tentar baixar o custo para esta actividade, conseguimos após 4 viagens entre lojas   e o mais engraçado de tudo e só o descobrimos no fim de fechar negocio, era que estas 2 lojas pertenciam á mesma família, marido e mulher, a mulher foi quem nos fez melhor preço, escusado será dizer que o Trek não era nem plano nem 4 horas, mas sim 6h e com subidas e descidas entre rochas de cortar a respiração, engraçado como aqui tudo é diferente, estamos habituados na Europa, nos EUA entre outros a que nos digam o que é seguro e o que não é, o que podemos e não podemos fazer, aqui não, podemos fazer practicamente tudo, temos é de ser nós a ajuizar se é seguro ou não, por exemplo no trek, juntou-se a nós um Frânces que chegou tarde ao jeep que nos ia levar ao incio do trek, ocupou o melhor lugar no carro e obrigou-nos a sentar-nos no banco de trás 4 pessoas onde só cabiam 3, mas ia ter o chamado castigo de Deus, decidiu escorregar de proposito por uma rocha com musgo, resultado, Eric, era o seu nome, a Tombé, brincadeira á parte, podia ter-se magoado e nem sequer imagino como seria este trek se estivesse a chover, o que por esta zona acontece muito frequentemente.

Os últimos dias dias foram passados em Don Det, uma vila pequena junto ao rio e onde os Backpackers vão para uns dias de Chill e recarregar baterias para o próximo destino 

Próxima paragem Cambodja

P.S - os meus revisores de texto, Mãe e Teresinha, alertaram-me para os erros que existem nos textos, alguns são por provalvelmente não ter estado atento durante as aulas de Português e outros por estar a escrever no telemóvel, teclado pequeno e com a chamada escrita inteligente durante longas viagens de autocarro com estradas em precárias condições, prometo que vou fazer um esforço para melhorar

 

 

Monge a posar para a foto em Chiang Mai

 

Tailândia, o regresso e o meu momento assustador 

 

Todas, ou quase todas, as viagens têm aquele momento assustador, não sabemos o que fizémos ao passaporte, ao bilhete de avião ou mesmo se perdemos o avião, abrimos a porta do quarto e não avistamos a nossa mala, enfim aquele momento em que deixamos de respirar, que ficamos sem reacção, completamente imóveis, pois bem eu ia ter um desses momentos, mas já lá irei.

Depois de 15 intensos dias em Myanmar, soube bem regressar á Tailândia e a casa do Godzas, da Jodie e do Junior em BKK, foram só 3 dias, mas deu para recuperar alguma da energia despendida, os primeiros 2 dias foram só para descansar, aproveitar a piscina, trabalhar no blog, escolher algumas fotografias, gerir os cartões bancários, responder a alguns mails, aproveitar para pôr em dia a roupa lavada e perder-me pela cidade com umas caminhadas, no 3 dia e já totalmente recuperado fui com o Jovem Godzuki visitar os " Green Lungs de BKK", o meio para o fazer não podia deixar de ser a bicicleta, à que contribuir para que os pulmões continuem verdes, apesar de os dias indicados para o fazer ser o sábado e domingo, pois é quando á mercado, as ruas e canais enchem-se de coloridos, aromas e pessoas quer a pé quer de bicicleta, mas eu só disponha de mais este dia, pois no dia seguinte rumava novamente ao norte, eu e o Junior tínhamos a vantagem de ter as ruas, pontes sobre os canais praticamente só para nós, apenas uns 30 minutos de BKK e parece que estamos no campo, valeu o passeio. 

Depois da despedida da tão simpática família que me adoptou neste último mês, e com a possibilidade de voltar a encontrá-los novamente, desta vez em Chiang Rai, pois tinham uma corrida de aventura e eram os anos do jovem Rodrigo, já muito perto do meu destino seguinte, Laos, lá segui para apanhar o comboio para Chiang Mai, desta vez ia estrear os comboios novos, instalados a apenas uns dias antes, e se já gostava de viajar de comboio antes, agora estava completamente rendido ao conforto.

Antes de chegar a Chiang Mai parámos em Ayutthaya, antiga capital da Tailândia, visita ao complexo de barco, é quase um ponto obrigatório de visita 

Em Chiang Mai tinha planeado fazer 3 programas, visitar o templo que fica na montanha com vista para a cidade, a 2h de bicicleta, conhecer e ter a oportunidade de interagir com elefantes, alimentado-os ou dando-lhes banho no Elephant Retirement Park e assistir a um combate de Muay Thai, que é o desporto Rei neste País, se este programa não ofereceu qualquer tipo de problema ou mesmo não posso dizer dos outros.

No início da minha lista, a subida para visitar o templo na montanha, foi o meu primeiro momento de insensatez, quando estava a alugar a bicicleta a rapariga que lá trabalhava perguntou-me com alguma curiosidade, o que tinha em mente visitar neste meu passeio em 2 rodas, expliquei-lhe que ia ao templo da montanha, ela olhou para mim e disse-me, “acho que não é boa ideia, subida muito longa, com alguma inclinação, com este calor” e estava realmente muito calor, eram 13h, mas quando sou confrontado com as situações do tipo " não és capaz ou é muito difícil", fico irracional, já me custou um pé partido quando ainda era um jovem inconsciente e estranhamente, com a idade, para mim não veio a sabedoria, lá fui e cometi mais 2 erros, como estava na Tailândia optei por uma bicicleta de Bamboo, mais pesada, boa para descer, não para 2h de subida e sem porta Bidon para a água o que com  36 graus era essencial, um conjunto de menos boas opções que se justificam pois sou um novato nesta coisa das 2 rodas 😄. Fiz a subida em qualquer coisa como 1h30, completamente desidratado, ensopado em suor e completamente de rastos quando cheguei ao meu objetivo, apenas a minha bicicleta no parque, o resto eram motas ou tuk-tuks, agora percebia porque. 

No Elephant Retirement Park, com o entusiasmo todo aproximei-me demasiado  da cria e da sua mãe, levei uma pisadela de raspão, que deixou as suas marcas, por sorte são elefantes Asiáticos", apenas " 6 toneladas, se fosse o Africano com as suas 7, não sei não 😄.

Na Tailândia para além dos combates de Muay Thai também a visita a um show dos famosos Ladyboys faz parte da lista de qualquer roteiro nesta região é como o moulin rouge em França, só que aqui e apesar de ser muito difícil a distinção, as lady´s são boys. Quem me conhece sabe que sou daqueles que tenta sempre passar despercebido, longe dos holofotes, como na escola, sentava-me sempre na ultima fila e sem atrair as atenções sobre mim, fazendo os serviços mínimos para seguir na carreira académica  e quase sempre fui bem sucedido, apenas algumas vezes não o consegui, como no 1 ano de liceu, a Professora tinha pedido para fazer uma redacção com o titulo “ Apre que Maçada”, e eu lá discorri sobre o tema, chegado o dia da entrega dos trabalhos a professora, com um largo sorriso, disse “ estão todos muito bons, mas há um em especial que se destaca, está excelente e vai a concurso nacional”, aguardei que me entrega-se o meu trabalho, foi o último a ser entregue e era aquele o excelente, naquele momento a Professora tinha conseguido dar cabo da minha reputação junto dos meus “ Heróis “, os que se baldavam ás aulas, os que tinham as mães chamadas várias vezes á directora de turma, enfim os “ cool da turma”, que me olharam com desconfiança, confiança essa que só viria a conquistar no final do ano com o chumbo monumental, pois aqui e ao contrario do colégio de onde vinha a liberdade era total, passei grande parte do ano lectivo nos galhos das árvores nas quintas que ainda existiam em cascais, a alivia-las do peso das inúmeras frutas, a sala de aula só a via de vez em quando, isto para compreenderem o susto que tive no famoso espectáculo de ladyboys, estava eu sentado do meio para trás, como gosto, e chegado o momento principal do espectáculo, onde um elemento do público é escolhido e levado ao palco sob o olhar de todos, vejo o dito ladyboy a circular entre o público, primeiro longe de mim, depois mais perto, mais perto…e sinto a mão nas minhas costas, calma Rodrigo, não olhes, não respires, faz de morto, infelizmente não resultou, iria ser a estrela do momento sob o olhar e aplausos de toda aquela multidão, quando dei por mim, estava sentado no meio do palco, a camisa já voava, alguns botões tinham ficado pelo caminho, como recompensa pela minha participação lá recebi uma cerveja de borla , este vai ser arquivado na minha memória como” o momento assustador” :)

Passados uns dias segui para norte,Chiang Rai, última paragem antes do Laos, onde tive a oportunidade de voltar a rever o Godzas e o aniversariante, o “ Junior”, fomos visitar o famoso “ Golden Triangle”, que é umas das rotas mais utilizadas e famosas do trafico de opium, fica entre a Tailândia, Myanmar e o Laos, visita ao museu do Opium, que recomendo e que estranhamente só nos tinha a nós e um grupo de japoneses como visitantes ao contrário da placa que assinala o chamado Golden Triangle.

  

Próximo destino, Laos 

Aspirantes a Monges Budistas, Myanmar

 

Myanmar, Birmânia ou simplesmente Burma - a surpresa das surpresas

  

Da minha lista de Países a visitar tinham me dito que talvez este fosse o menos apelativo, aberto ao turismo á pouco tempo e como tal  poucas infraestruturas, estradas em más condições, grande risco de food poisining (intoxicação alimentar), instabilidade política em algumas partes do território e mais umas quantas dificuldades, o que fez com que partisse com uma expectativa baixa, e se alguma coisa  aprendi com as viagens, é que normalmente quando as expectativas são reduzidas, maior é a recompensa, (como foi o caso da Índia, Perú e Mongólia) não á nada como vermos com os próprios olhos, talvez por Myanmar fazer fronteira com vários Países, Tibete, China, Bangladesh, Laos, Tailândia e a Índia, a sensação que tive quando cheguei a Rangum, antiga capital deste Pais, foi que estava em Delhi, com os cheiros, as cores, o trânsito caótico, as multidões, de um lado e de outro da rua as inúmeras bancadas de venda que por vezes escondem os passeios, onde se vende de tudo, comida para almoçar, jantar ou simplesmente debicar, fruta, legumes, não faltando claro os petiscos locais como os grilos, aranhas, escorpiões, algumas larvas e outras iguarias :), aparelhos electrónicos, brinquedos, roupa, tudo.

Apesar de existirem algumas semelhanças com a Índia, não se vê a pobreza extrema, o tráfego é igualmente intenso, mas mais organizado, apesar de também usarem e abusarem da buzina, aqui existem 2 ou 3 faixas, não como na Índia onde uma rua com 2 faixas, rapidamente se transforma em 8. É um País com uma longa tradição de ocupações e violentos confrontos, os Portugueses, por exemplo, já aqui estiveram por volta de 1599 até 1611, até sermos derrotados pelo Rei Anaukpetiun, os Ingleses de 1826 até á segunda guerra mundial altura em que os Japoneses ajudados por uma numerosa população Birmanesa cada vez mais descontente com a falta de respeito para com as suas tradições e cultura, como o uso de sapatos ao entrar em templos Budistas por parte dos Ingleses, tomaram o Poder, com cerca de 300.000 refugiados Britânicos a cruzar a selva para a Índia, só viriam a sobreviver cerca de 30.000, mas os Ingleses voltaram a retomar novamente o País, ajudados pela exercito indiano, finalmente a independência foi conquistada em 1948.

Mas voltando a minha própria história, para a visita a Myanmar tinha recorrido aos serviços da Stray,    http://www.straytravel.asia/ após conselho de uma amiga da Jodie que trabalha em turismo, empresa Neozelandesa que é especialista em organizar itinerários, marcar os diferentes meios de transporte, quer público quer privado, bem como possibilidade de marcar alojamento de acordo com a nossa preferência, apesar de em Myanmar não haver essa possibilidade, para os restantes Países do Sudoeste Asiático como é o caso da Tailândia, Laos, Cambodia e Vietname existe a possibilidade de sairmos num local que gostamos e ficarmos mais tempo, apanhando outro autocarro, comboio ou barco, o chamado Hop-on Hop-off. fiquei fan desta empresa e o restante Sudoeste Asiático também farei com eles, só tinha agora de arranjar um voo para Rangun ou Yangon, assim foi, cheguei 2 dias antes do inicio do meu tour para sentir a cidade por mais tempo e me ambientar, claro que me perdi por inúmeras vezes :), passados estes 2 dias iria conhecer os meus companheiros de viagem, o que gosto na stray, é que são grupos pequenos, variados e temos autonomia para fazermos o que queremos, em grupo ou sozinhos, assim conheci o grupo que viria a revelar-se perfeito, pois partilhávamos as mesmas vontades, bom sentido de humor e espirito de aventura, por vezes demasiado, como é o caso da minha amiga alemã, que deixarei o relato para mais tarde quando voltar a escrever sobre a Tailândia, pois voltei a encontra-la lá, como companheiros de aventura tinha o Drew, do Canadá, Mellissa  dos USA, a Christine também do Canadá, o May Tai da Holanda mas a viver agora no Laos e a Alina da Alemanha, fomos jantar e tomar uma cerveja juntos para nos conhecemos melhor, foi onde experimentei os meus primeiros grilos grelhados, bem bom, os grilos do Alentejo que se cuidem :)

No dia seguinte fomos conhecer melhor Yangon, apesar de ter tido os 2 dias anteriores para conhecer a cidade, a verdade é que com um guia local, é outra coisa, visita-se os locais mais emblemáticos e conhece-se a história do que estamos a visitar, no dia seguinte iríamos de autocarro para Bagan, antiga capital da Birmânia,  viagem de cerca de 10h feita em autocarro de luxo, parecia que estava num avião mas em 1ª classe , não em turística, como a viagem durou a noite, deu para dormir tranquilamente.

Chegamos pela madrugada, seguimos logo para local privilegiado e ver os primeiros raios solares nos inúmeros templos, apesar de ter uma paisagem deslumbrante o clima não colaborou, pois estavam muitas nuvens e as fotos não foram das melhores, mas haveria tempo para tentar novamente. Apesar de crer alugar uma bicicleta, os meus companheiros de aventura convenceram-me a não o fazer, pois todos alugaram umas motas eléctricas e estivemos sempre em constante movimento, apesar de ter alguma energia acumulada, não consigo ser tão rápido como as motas eléctricas , ainda :)

No grupo, ao qual demos o nome “Myanmar Family”, e apesar de gostar de todos, há sempre aqueles que criamos logo uma empatia imediata, foi o caso com a Alina, o May Tai  e o Drew, miúdo de 21 anos que já estava a viajar a alguns meses e que já tinha telefonada à mãe para pedir um reforço de dinheiro, pois tinha-se esticado na Nova Zelândia, o que é fácil, pois o que não faltam são actividades para nos reduzir o saldo bancário, raftings, Buggee jump e outras tantas, a Mãe parecia não entender como é que ele ja tinha torrado uma boa parte do dinheiro que deveria ter chegado até ao Vietname, a resposta foi simples “ Mother, trust me, if you were here you would understand”, ao terceiro dia já me dizia “ adoro o teu nome, já nem vou mais tentar escondê-lo” apesar do Mai Tai me ter baptizado com o nome, Cork Lord, dizendo-o em italiano, ao estilo mafioso, vá-se lá saber porquê, o jovem Drew, não abdicou de dizer o meu nome com um sotaque que por vezes me fazia lembrar os filmes do Cantiflas, um cómico mexicano e de enorme sucesso nos meus anos de teenager.

 

Bagan é um dos must see em Myanmar, e a altura privilegiada é ao nascer ou ao pôr do sol, se o dia estiver sem nuvens, como foi o caso do ultimo pôr do sol que assisti, é magico, a sensação foi a mesma que tive em Machu Picchu, apesar de ser eu e para ai mais um milhão de pessoas, mas como existem muitos templos, tentamos sempre escolher aqueles que têm menos pessoas e os quais, para nós são, os secret spot.

Depois de Bagan rumámos ao norte para fazer um, para mim, exigente trekking, cerca de 16km com muita lama, pois tinha chovido muito na noite anterior, mas eu que ansiava por fazer desporto iria ter um dia em cheio, começamos ás 8h da manhã e acabámos ás 18h30, já no inicio da noite, 10h de caminhada, descontando a paragem para almoço, para limpeza de lama dos sapatos e da roupa pois eu fui um dos felizes contemplados e deixei as impressões digitais do meu traseiro em plena floresta do Norte de Myanmar, mas as vistas para as montanhas e para os campos de arroz valem bem esta nova experiência Nessa mesma noite tivemos uma das experiências que mais gostei, ficámos a dormir numa aldeia de montanha, no dia seguinte seriam mais 4h de trekking até atingir o nosso destino, Inle Lake, as dormidas são negociados com o chefe da aldeia que distribui os viajantes por diferentes famílias, a nós calhou uma simpática e jovem família, que considera um privilegio receber-nos e fazem de tudo para nos agradar, no final da refeição tivemos a companhia do casal que nos falou, com a ajuda de um tradutor, dos costumes da aldeia, de entre os quais fixei um que achei imensa piada, quando um jovem anda á procura de noiva, normalmente distribui ouro por varias raparigas, para manter um leque de possibilidades, depois visita-as para ver como se safam com a lida da casa, com a comida e outras tarefas diárias da aldeia e depois escolhe, sábios estes aldeões :), a rapariga não pode recusar, mas têm uma maneira educada de declinar o convite do futuro pretendente, para reduzir o tempo que estão juntos, oferece varias vezes chá ao jovem que não consegue evitar inúmeras visitas á casa de banho, vou estar mais atento a quem me quer encher com Chá, quiseram saber de onde éramos, o que fazíamos, parte em que o jovem Drew olhava para mim e dizia “ sabes que tens o trabalho mais cool de todos, não sabes?”, realmente quando digo que a minha principal actividade no alentejo é  produzir cortiça, a curiosidade é imensa, qual é a árvore, como se tira, quando, enfim o processo todo até chegar ás rolhas ou a outro produto feito por este nobre material, isto já sou eu a puxar a brasa á minha sardinha.

 

Noite dormida na vila,  em tapetes de palha com desenhos originais e muito bonitos com um colchão e todos alinhados, claro que aqui não existe, TV, Computador Wi-fi, e outras coisas a que estamos habituados, mas tínhamos jogos de cartas e umas cervejas para animar o resto do serão, uma experiência muito boa e enriquecedora. No dia seguinte, logo pela madrugada, um banho à gato pois a água para além de fria tinha de ser tirada a balde, um pequeno sacrifício em troca do que me foi dado a conhecer nesta aldeia com esta família, depois da despedida do simpático casal e após um grande pequeno almoço, onde não faltou nada, fruta, sopa, arroz, pão ovos, sumo, leite, chá e mais coisas que agora não me recordo, e tinham-me dito que a parte gastronómica não ia ser grande coisa, nada mais errado, comi optimamente e abundantemente, estilo buffet mas caseiro, lá partimos para os derradeiros 14km do trekking, agora com as pernas e os pés mais doridos, o trek era menos exigente e não havia tanta lama, mas havia uns famosos bichos que me mantiveram alerta o resto do dia, sanguessugas, tive sorte a única que se prepara para atacar estava nas minhas meias e a Christine avisou-me a tempo, a mesma sorte não teve a nossa guia local, levou umas belas mordiscadas, acho que a escolha destes “interessantes” bichos entre comida internacional e local, optaram pela local.

 

Chegados a Inle Lake e recompensados com mais um almoço daqueles que se oferecem aos cavalos após correrem a Royal Ascot, seguimos para a nossa guesthouse de barco e por canais com as suas casas assentes em estacas de madeira, uma espécie de Veneza do campo, vai - se ao jardim, á horta, á escola, ao templo, ás compras de barco, até as motas e as bicicletas usam este meio de transporte nesta zona pois o lago ocupa 116km quadrados, passei por breves momentos pelo alojamento para deixar as malas, tomar um duche e segui para a massagem, após 14h de trekking e cerca de 30km em 2 dias, achei que o meu corpo merecia a mesma recompensa que o meu espirito está a ter nesta, até agora,  fantástica experiência, lembro-me dos primeiros 15m e depois blackout, A parte que ficámos no lago é descontraída, com restaurantes bem decorados, boa musica, boa comida e até os westerns apresentam um sorriso rasgado, talvez porque, assim como eu, Myanmar os surpreendeu.

 

Após uns dias em Inle Lake, rumámos a Mandalay, viagem cansativa, cerca de 8h e desta vez o autocarro, um mini-bus não era tão confortável, o próprio motorista não oferecia grande segurança na condução, resultando numa espécie de render da guarda, ora fechava o olho esquerdo, ora fechava o direito, nunca os dois ao mesmo tempo.

Mandalay é uma cidade grande, com inúmeros templos, mas o que mais gostei foi a visita ao palácio real e a U Bein Bridge, o palácio, que já foi residência real é muito bonito, jardins muito bem tratados entre as diferentes alas, embora as condições de segurança sejam parecidas com as que encontramos nalgumas passagens de fronteira, tínhamos de deixar o passaporte à entrada, algumas áreas eram restritas, pois os militares ocupam uma parte do terreno, mas não do palácio, a saída para estrangeiros tinha de ser feita pela mesma porta que entrámos, a U Bain Bridge, 1.200m, construída por volta de 1850  que cruza o lago Taung Tha Man, crê-se que é a ponte em madeira mais antiga e longa e que, até para mim que sou um aprendiz na arte da fotografia, proporciona grandes recordações, especialmente ao nascer e por do sol, eu tive a sorte de apanhar o por do sol com a tão famosa super lua, que só se voltará a repetir lá para 2034 e que inundou o facebook. Agora é oficial, sou um Monk Stocker, como dizia a minha “Myanmar Family”, sou incapaz de resistir à possibilidade de tirar uma foto com um Monge Budista, não sei  se é por causa da forma das vestes, da cor ou simplesmente por não estar habituado a vê-los, a verdade é que se a ocasião se apresentava, chapa, então se for um monge com uma bicicleta isso já é tocar no céu :).

Os dias passaram a correr, é sempre assim, quando estamos a gostar, ficamos com a sensação que 15 dias, foram apenas 5 ou 6, ficaria por aqui mais outros bons 15 dias e mal posso esperar para que todo o Pais esteja em condições em termos de segurança, serei um dos primeiros a voltar a este extraordinário Pais, sem duvida.

Como o tempo foi contado ao minuto, faltava apenas fazer mais uma coisa, talvez a mais importante, comprar 2 postais, escrever e enviar para os meus sobrinhos ainda em Myanmar, quando já achava que ia faltar ao prometido e já no aeroporto, após o check-inn da mala, olho em frente e vejo escrito “Post Office”, salvo, mais uma vez o fio encarnado que trago ao pescoço fazia novamente magia :).

 

Next Stop Tailândia II, para recuperar novamente

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com a Jodie e o jovem Godzuki

Passeio de long tail boat por BKK antiga

Bike Tour por BKK

Ida para Koh Samed

Os simpáticos post-its da Jodie, estragaram-me com mimo

Com o Godzas como anfitrião em BKK

 

Tailândia parte 1, é o Pais mais central do Sudoeste Asiático, o que permite as mais variadas ligações, seja de avião, de comboio ou de autocarro, com os restantes Países da região que pensei visitar  e onde pretendo voltar pelo menos + 2 vezes, a primeira vez, BKK - Chiang Mai ( Norte da Tailândia ) - Myanmar - BKK e a segunda BKK - Laos - Cambodia - Vietname - BKK seguindo depois provavelmente  para Malásia, Australia, Coreia e Japão, este é o plano por agora, mas sujeito a alterações  Cheguei vindo dos Himalayas Indianos, onde muitas vezes, 50 pessoas eram uma multidão, as luzes eram poucas ou só existiam mesmo na minha lanterna de cabeça, que foi bem usada, especialmente onde acampamos. Mas este contraste, que adoro, foi novamente atenuado pela recepção do Ricardo, para os amigos de Infância, Godzilla ou mesmo Godzas para os mais chegados :), estava á minha espera, segunda vez recebido e apresentada à cidade no conforto de um carro com motorista e com um amigo a fazer o papel de cicerone, era capaz de me conseguir adaptar a este tratamento na minha cidade natal e justifica-se, tanto Delhi como Bangkok tem cerca de 10 milhões habitantes, pouca mais que a minha cascais. A ideia inicial era passar 3 a 4 dias em casa do Godzas, que me avisou logo assim que soube da minha viagem, que se não fica-se em casa dele ficava amuado, bem, a palavra usada não foi bem amuado,  era parecida 😄, da Jodie e do jovem Rodrigo, que para além do nome, também partilha um bom sentido de humor, e que nestes dias e para mais fácil distinção ia passar a ser o Godzuki, uma espécie de mini Godzilla ou Junior (este já não tanto do seu agrado). Sabe bem ser recebido assim, permite-nos  ambientar mais rápido, saber o que ver na cidade e poupa tempo. Já não estava com eles á muito, á demasiado tempo, mas acho que é isto que distingue as amizades que vêm de infância e se prolongam no tempo, foi como se estivesse-mos  estado juntos ontem, acabei por ficar quase 2 semanas, e realmente soube muito bem, receberam-me como se fizesse parte da família e com uns mimos aos quais já  não estava habituado, pois vinha dos Himalayas e lá as condições são mais duras, aqui era diferente, casa com todas as mordomias, Ginasio, piscina ( com vista sobre a cidade) empregada, água quente para tomar banho, o que em BKK , não faz muito sentido, pelo menos agora, a água tinha de ser fria, bem fria, engraçado como num curto espaço de dias as coisas mudam.

Esta paragem em BKK veio mesmo na altura certa, pois não o sabia, mas estava cansado, tinha pago a factura de crer fazer tudo nos Himalayas, trekking's em altitude, acordar cedo para ver o nascer do sol nesta fantástica cordilheira, estar em constante movimento para não perder nada desta fantástica região, a requisição para tirar fotografias com quase todos os indianos que encontrei pelo caminho, enfim foram dias exigentes e que agora cobravam, o descanso em casa do Godzas, da Jodie e do Godzuki, foi milagroso, acho que por vezes é bom tirar um dia para descansar e recuperar forças.

Cheguei numa altura complicada para este Reino, ainda choram a morte do Rei, Bhumibol Adulyadej, o nome significa, Força do Incomparável Poder da Terra, pelas inúmeras homenagens se percebe que era bem amado, quem cá vive á um tempo, como é o caso do Godzas e da Jodie, diz que nem sabia que os Tailandeses tinham roupa preta, são um povo que gosta do colorido, talvez esta tristeza seja mais profunda porque os Tailandesas não encontram no sucessor as características e o carisma do seu amado Rei, enfim espero que o Pais não entre no caos, pois vale bem a pena a visita, as pessoas olham-nos sempre com um sorriso na cara e pelo que já tive oportunidade de ver, têm paisagens lindíssimas e variadas, desde a loucura de Bangkok ,com as suas ruas movimentadas, os seus altos prédios, as luzes e onde se pode ir ás compras num moderno e luxuoso shopping center como ir a um mercado de rua de barco ou mesmo a Chinatown, onde se pode encontrar de tudo, literalmente, tudo,  passado pelo norte da Tailândia com as suas montanhas e os seus campos de arroz, até ás famosas praias nas ilhas e no sul, onde pretendo voltar na última parte da minha viagem pelo Sudoeste Asiático. Tendo o privilégio de ter o Ricardo, a Jodie e o jovem Godzuki como guias tive a oportunidade de ver muito, não tudo, porque é impossível, mas acho que vi o mais importante, como o O Grande Palácio Real, que nestes dias que correm, após a morte do Rei só se pode ver por fora, o Templo do Amanhecer, Wat Arun, o Wat Phra Kaew, capela real, Jim Thompson house e a sua maravilhosa arquitectura e jardins mesmo no centro de BKK, o Templo do Monte dourado, Wat Saket, que abriga uma relíquia de Buda e têm uma vista soberba sobre a cidade, outros templos que agora não me recordo do nome, uma vistia, pelos canais de barco, á BKK antiga, um bike tour com a Jodie e o jovem Godzuki, que é uma excelente forma de conhecer a cidade, experimentei quase todos os meios de transporte, o BTS, espécie de metro de superfície, o MRT, metro, comboio, autocarro, taxi-moto com 2 experiências engraçadas, 1º vez com uma miúda que andava como se o mundo fosse acabar amanhâ, tive de lhe explicar que não estava com pressa, não tive medo, apenas receio :), na segunda vez apanhei “boleia” de um Srº de idade avançada, íamos colhendo uma meia dúzia de pessoas na passadeira e tinha de o ajudar a suportar o peso da mota sempre que parávamos, andei também de bike e claro os famosos Tuk Tuk, mais caros, mas que faz parte da experiência, ainda deu para andar de barco, pois para grande agrado do jovem Godzuki, pretendia tirar a licença de mergulho na Tailândia e além das aulas teóricas, 1 dia completo a estudar, outro passado na piscina, também tinha de fazer 4 mergulhos no mar, o que para ele foi uma alegria, pois ao contrario de mim, é um mergulhador avançado e não um rookie como eu, para estes 4 mergulhos em 2 dias rumámos a sul de BKK, Pattaya, aproveitámos e passamos o fim de semana, que era prolongado, na ilha de Ko Samet, bem instalados, a jantar praticamente com os pés na água.

 

Estas actividades e visitais aos locais mais importantes só foram possíveis graças ao jovem casal, Ricardo e Jodie, a Jodie que me acompanhou praticamente todos os dias e no único dia que não consegui ir, pois tinham de renovar o visa, deixou-me vários simpáticos post-its pela casa, a sugerir a onde ir, como chegar lá, tudo bem organizado, ia sentir falta destes cuidados :).

 

Para o último dia de visita a BKK, no dia seguinte ia rumar a norte, Chiang Mai, guardámos uma visita de long Tail boat pelos canais, á BKK antiga, lindo, é uma pena que o moderno esteja a ganhar claramente tanto terreno ao antigo, devia haver uma possibilidade de manter uma certa harmonia e evitar que o antigo desapareça, acabámos o dia com uma visita ao barbeiro, pois os 3 mosqueteiros, eu, o jovem Godzuki e o Godzas precisávamos de cortar o cabelo, normalmente como corto com máquina 5/6 a operação não leva mais de 5 minutos, em Portugal, aqui ia ser bem diferente, lavagem, massagem, sim massagem na cabeça antes de cortar, corte com a maquina, nova massagem e finalizado com acerto com a tesoura, provavelmente levou cerca de 30 minutos, só posso dizer que agora rego todos os dias o cabelo, ás vezes chega mesmo a ser 2 vezes no mesmo dia e dou por mim a pedir para que o cabelo cresça rapidamente, a partir deste dia tomei a decisão de só cortar o cabelo em BKK.

 

Lá rumei à estação de comboio, após me despedir do Ricardo, da Jodie e do Junior, com a promessa de os voltar a ver brevemente e com o olhar ameaçador do Ricardo a dizer “ quando voltares, ficas cá em casa, não te atrevas a alugar um quarto”, espero um dia também retribuir todos estes mimos que tenho recebido. 

Agora estava novamente por minha conta, sabe bem por vezes descansar e ter quem tome conta de nós por um tempo, o que foi o meu caso em Bangkok, mas tinha de voltar ao estado de alerta que temos quando viajámos para sitio que nos são totalmente desconhecidos, estamos por nossa conta e risco. a última coisa que queria era uma mensagem de alguém para os meus familiares a dizer “ he Didn´t make it” ou “ Bangkok got him” :) 

Esta viagem de comboio não foi como a que fiz no Transsiberiano, onde só faltou os aviões a rodar em cima da minha cabeça e a música para pensar que tinha voltado à idade do berço, desta vez estava mais preocupado com a mochila, estava um pouco afastada de mim e por isso só passei pelas brasas o suficiente para no dia seguinte partir á descoberta de Chiang Mai.

Chiang Mai é uma cidade com um ambiente hippie e ponto de partida para vários programas, quer nas aldeias com tribos, quer para centros de recuperação de animais, como o caso do que pretendo visitar, elefantes, inúmeros templos e também passagem obrigatório para quem quer passar para o Laos por terra, é o meu caso. Deixo a descrição de Chiang Mai para depois, para a Tailândia, parte 2 e da fabulosa comida que têm 2 problemas quanto a mim, é mesmo boa e barata 🙂🙂🙂:) 

Next Stop Myanmar

Avó e neta a caminho de um a mosteiro após uma boleia

A ideia de fazer esta viagem mais prolongado à muito que fazia parte do meu imaginário, a viagem do meu irmão com a Teresinha só veio aguçar mais esse “ apetite “, optei por começar pela Índia, seguir pelo Sudoeste Asiático ( Tailândia, Myanmar, Laos, Vietname e Cambodia ), Australia e Japão, esta é a ideia inicial, mas pelo caminho tenho a possibilidade de alterar os planos, fica um pouco mais caro mas tenho mais flexibilidade. Um dos meus melhores amigos, o André, disse-me uma frase que me nunca mais me vou esquecer “ arrepende-te do que não fizeste e não daquilo que fizeste”, sábias palavras e tenho tentado, dentro do possível e neste caso o possível é graças ao meu irmão e também à minha Mãe, foram eles que contribuíram para o realizar deste sonho.

Para mim cada vez mais faz sentido a frase coleciona momentos e não coisas

 

A Índia é como tão bem o meu bom e grande amigo, Nuno, a definiu, um soco no estômago, é impossível lhe ficarmos indiferentes, ou se ama ou se odeia, no meu caso tivemos uma relação difícil e foi graças a Olga que aqui vim pela primeira vez , ela queria ver a Índia, eu queria o Nepal, fácil resolução, como tínhamos 3 semanas, distribuímos o mal pela as aldeias, semana e meia em cada um, acabei por gostar do que vi, realmente existe muita pobreza, miséria , odores insuportáveis, mas também têm pessoas fantásticas, sitio deslumbrantes, cheiros agradáveis e cores intensas, é um País que nos estimula todos os sentidos, tacto, olfacto, ouvido, vista e paladar, para mim a Índia é como estar numa relação com outra pessoa, há certas coisas que não gostamos, que nos incomoda, mas as que gostamos são tão fortes e intensas que ultrapassam todo o resto.

Realmente estranha-se e depois entranha-se.

Mas eu, desta vez, só ia riscar essa Índia á superfície ligeiramente, essa verdadeira Índia, pois só ia passar um dia em Delhi e esse dia ia ter a Raquel e o João como anfitriões, receberam-me como se estivesse em casa, com todas as mordomias e atenções, definitivamente a Embaixada de Portugal está bem entregue, ia ter que me voltar a concentrar no dia seguinte, pois os Himalayas ia ser outra historia sem todos estes cuidados que nos sabem sempre bem e pelo qual estou muito grato à Raquel e ao João ( em casa deles comi um bom bacalhau e falamos longamente do meu assunto preferido, viagens, no qual o João e agora também a Raquel, com as suas experiências, podiam acrescentar muito à minha já longa lista de países a visitar, alguns prometi segredo, para se manterem secretos :) ).

Só tive tempo para dar uma espreitadela no blog da Raquel, www.aviveroincrivel.blogspot.com,  pois ainda quase não parei, é sempre bom conhecer as experiências de quem vive fora, ainda por cima na Índia.

Lá segui para Chandigarh, para retomar o que tinha deixado por realizar, exactamente à um ano atrás e agradecer aos médicos e enfermeiras que tão bem me trataram, apesar de ter passado por algumas peripécias, enfim trata-se da Índia, a seguir ao meu bom e grande amigo Nuno, foram eles os responsáveis por ainda hoje fazer o que mais gosto, andar de bicicleta, relato aqui um pequeno episódio que me aconteceu na referida visita ao Fortis Hospital de Chandigarh, que espelha bem o que é a Índia e como de repente estamos no meio de uma aventura sem darmos por isso. Cheguei atrasado a Chandigarh, pois o meu voo partiu com quase 2h de atraso, como supostamente aterrava ás 14h15, tinha planeado, tomar um banho no hotel, deixar a mala e seguir para o hospital, o que não era uma má ideia se aterra-se a horas, as 2h de atraso é que vieram lançar a dúvida  sobre o que fazer, estava com sorte, no aeroporto havia uma delegação do Fortis, entrei e perguntei se o meu hotel era perto do hospital, se teria tempo de tomar um banho, o médico que lá estava reconheceu-me pois tinha sido ele que me acompanhou na parte final da minha vinda para Portugal, parte está que muito me stressou, termos de responsabilidades,, saber se a companhia de aviação aceitava o risco de eu embarcar, se o Nuno não iria ter problemas com o carregamento de medicamentos, para me tirar as dores e para adormecer um cavalo, enfim já lá vai, perguntou-me o que é que eu ia fazer ao Fortis, expliquei-lhe que ia levar umas lembranças para as enfermeiras e para o médico que me operou e agradecer o que tinham feito por mim e assim começou uma aventura, o médico disse-me esqueça o taxi, você vai de ambulância para o hospital, assim foi, escoltado por 2 enfermeiras que muito se riam e depois do referido médico me pedir desculpas pois esta era uma ambulância mais antiga, uma vez que as mais recentes estavam ao serviço do Rally dos Himalayas, imaginem ainda me pediu desculpa. lá cheguei ao hospital rapidamente, sinais vermelhos e transito parado não era para nós, só faltou mesmo ligar as sirenes, mas ai, até eu ia desconfiar que estava a sonhar e não tinha acreditado. O reencontro foi muito emotivo e sentido, estavam todos genuinamente satisfeitos por me ver ali de boa saúde, acabei a ser entrevistado pela Relações Públicas do hospital, iria escrever um artigo sobre mim, quando me vi embora, já era amigo no whatsapp do director do hospital, já tinha adicionado a Diretora de Relações Públicas aos meus amigos no facebook e mais outras trocas de moradas de emails, only in Índia.

Esta foi sem duvida uma boa maneira de começar esta aventura e um bom pronuncio para o que ainda estava para vir, os Himalayas, gosto de praia sem duvida que gosto, mas para mim as montanhas são algo que me fascina, a expectativa do que vou encontrar no topo, ao virar num vale, à chegada de uma vila com 30 habitantes e os Himalayas iam ser tudo aquilo que esperava e desejava e ainda mais qualquer coisa. Encontrei-me com o motorista que me ia acompanhar nos próximos 12 dias pelas montanhas a dentro e sempre muito perto do Tibete, seu nome Desh Raj, um simpático Hindu, o Desh Raj apenas falava um Inglês básico, inicialmente confesso que me pareceu que iríamos ter uma alguma dificuldade em levar esta Odisseia pelos Himalayas a dentro, a bom porto, mas não, entendemo-nos, ainda que por vezes ele tenta-se falar comigo Hindi bem devagar e eu responder em Português no mesmo tom, para além de meu motorista e guia, acabou também por ser o meu fotografo, parava em vários sítios que achava ser bons para tirar fotografias e dizia-me “picture, picture” com um ar muito sorridente, ao inicio ainda lhe fiz a vontade pois não queria ferir susceptibilidades, mas cheguei à conclusão que não poderia parar em todos os locais que me sugeria, provavelmente ainda hoje por lá andaria, além de fotografo particular ainda acumulou a tarefa de segurança, sempre com o olho em mim e quando grandes multidões se acumulavam perto de mim, o que por vezes acontecia com alguma frequência, pois os habitantes destas aldeias são tibetanos e os turistas Indianos, uma espécie de vá para fora cá dentro, querem tirar fotografias comigo, saber de onde venho, para onde vou, sugerir a sua cidade como futura viagem. Encontrei poucos turistas ocidentais, um casal de Israelitas, um casal Alemão a viver na Suíça com as suas 2 filhas, com os quais jantei em Mudh, uma pequena aldeia em Pin Valley, muito simpáticos, com muita experiência de viagens e que estavam muito preocupados comigo quando lhes disse que ia acampar no Chandratal lake, explicaram-me que estavam -20ºC, o que não era bem verdade, estavam -10, nesse mesmo dia dei boleia a uma Sr.ª já com alguma idade e a sua neta, queriam ir a um mosteiro que ficava a uns bons 30km, o que por ali demora cerca de 1h de carro, abordaram-me com alguma vergonha, mas rapidamente lhes disse que sim, tinha uma carrinha para 5 pessoas e só éramos 2, ficaram tão contentes que ia já eu a uns bons km e quando olhei para trás ainda me diziam adeus, foi um gesto tão insignificante mas para eles não, fiquei até sensibilizado, mais tarde viria a conhecer 2  simpáticos belgas que viriam a ser a minha companhia na descoberta do posto de correio mais alto do mundo, Hikkin, de uma das aldeias habitadas também mais altas do mundo, Komic, Kye Monastery que é um dos principais centros de aprendizagem de Lamas Geluk, um ramo do Budismo e com uma localização impressionante, no topo da montanha com uma vista privilegiada sobre Spiti Valley e Pin Valley, onde acabei o dia a tomar chá com um monge tibetano,  ofereceu-me um fio encarnado que me colocou no pescoço, para dar protecção e longa vida, já nem sequer me atrevo a tirá-lo durante o banho, também apanhei um valente susto, talvez por estar um pouco deslumbrado com tudo,  quando já descia para  Kaza, que era a vila onde estava a dormir por esses dias, apercebi-me que não tinha a minha mochila pequena, com passaporte, dinheiro, cartões multibanco, visa, câmera fotográfica, telemóvel, enfim, quase tudo menos os kits de agasalho, voltei para trás e quando chegamos ao mosteiro, onde eu me lembrava que tinha visto pela ultima vez, vinha um monge com a minha mochila ás costas pronta para descer até à vila de mota para me entregar, realmente se é para deixar a mochila em algum lado, que seja num mosteiro Budista,  mas voltando aos 2 Belgas, são simplesmente os meus heróis, o Dirk, militar e já reformado, mas com um espirito e uma capacidade física de um miúdo, a idade por vezes é só mesmo um número, e o Jan,  mais novo de numero, que trabalha para a Comissão Europeia, por vezes tira umas licenças mais prolongadas,  estavam a fazer a volta que eu fiz mas de bicicleta, nos Himalayas, bicicleta,  o que quer dizer que a altitude é um problema e na Índia, estradas em más condições e transito que por vezes não respeita as bicicletas, poder saber um pouca das suas inúmeras aventuras para mim foi um big plus, tivemos oportunidade de falar bastante e trocar ideias pois, foram muito simpáticos e quiseram me retribuir o favor, convidado-me para almoçar e jantar, assim acabamos a noite a brindar com Tuborg, que é bastante cara, pois um produto importado, fica aqui o link para consultar as viagens que já fizeram e me fazem sonhar,  www.bikeandtrek.com

No dia seguinte, tentei adiar o mais possível a minha partida, pois tinha ouvido o Dirk, comentar que não tinha nenhuma fotografia dele e do Jan a pedalar pelos Himalayas, achei que seria uma boa surpresa filmar e fotografá-los e consegui, apanhei-os meia hora depois de partir, ainda fiz umas filmagens à indiano, metade do corpo dentro da carrinha e a outra metade fora e bem fora, ficaram radiantes e tivemos mais uma despedida emotiva, parti para o lago Chandratal e os seus 4.300m, tenho muita dificuldade em adjectivar aquilo que vi em termos de paisagens e de pessoas, certamente que as minhas fotografias não fazem justiça ao que vi nem as minhas palavras descrevem as pessoas que conheci neste curto espaço de tempo, fico tão aquém daquilo que quero transmitir.

Foi muito bom começar aqui a aventura, nestas montanhas onde cada curva, cada subida, revelam belezas naturais que nos fazem pensar como é possível existir um lugar assim. Não pedalo à muito mas também não tenho a necessidade, fiz bastantes trekkings em altitudes que para mim, que sou um novato, já são consideráveis, muitas acima dos 4.000m, a adrenalina sentida  em cada precipício onde só cabe um carro, mas têm de passar 2, onde as placas dizem  coisas como, atenção “land Sliding”, “shooting stones”, " caution sinking area", e a minha preferida," always expect the unexpected", nestes momentos eram quando se fazia um silêncio sepulcral na carrinha e o Desh Raj suava um pouco mais do que o habitual, também eu aprendi a suar nestes momentos :) , e onde os caminhos dentro das montanhas mudam todos os dias e realmente não sabemos se vamos alcançar o destino que traçamos, estamos completamente á mercê da natureza e dos seus elementos, e não há problema, as pessoas aceitam-no.

 

Um bom começo, next stop, Tailândia 

 

Começo em Gd e com o pé direito, tinha a Raquel como guia e o seu motorista, que sorte a minha, almoçamos numa zona agradável, com muito boa comida, colocámos a conversa em dia e seguimos para a Índian Gate, que ainda me faltava ver, apesar de esta ser a minha 3 visita a Delhi e á Índia, depois fomos ver o Golden Temple com a sorte de ter para a além da Raquel, o motorista dela e da Embaixada que é Sikh e que nos mostrou o templo e todos os rituais que se fazem durante a visita. Depois fomos á embaixada Portuguesa dar um abraço ao João, despedimo-nos por breves momentos, pois os compromissos do João como embaixador assim o obrigam, jantámos juntos e em casa deles, a cerca de 25 km fora da cidade, casa muito bonita, com imenso verde á volta, numa zona muito tranquila e com 2 simpáticos Labradores, o Tuga e a Preta, muito simpáticos. depois de um agradável jantar, um óptimo bacalhau e uma saborosa sobremesa, conversámos longamente sobre uma das minhas paixões, viagens, o João e a Raquel com um curriculum muito mais rico que o meu, partilharam alguns destinos que prometi visitar e manter segredo 😄, para que se mantenham intactos e com pouca gente, foi uma óptima noite em muito boa companhia, a Raquel e o João são muito queridos e fizeram- me sentir como se estivesse em casa, a Embaixada Portuguesa está certamente bem entregue.

 

P.S - Raquel não consigo imaginar a cara de pânico do teu motorista quando lhe roubas o volante e aventuras-te pelas ruas de Delhi, coitado deve perder anos de vida

 

Foi esta a escolha para o inicio da viagem, por várias razões, pela beleza, por ser um percurso menos viajado, mas mais importante, era aqui que tinha planeado ir em 2015 após a prova dos Himalayas.

 

"The Spiti Valley is a desert mountain valley located high in the Himalaya mountains in the north-eastern part of the Indian state of Himachal Pradesh. The name "Spiti" means "The Middle Land", i.e. the land between Tibet and India."

Fractura do Fêmur nos Himalayas

 

Este não era certamente o começo que esperava, após o 2 dia de Prova, uma queda a grande velocidade e em alta montanha, resultado, fractura do Fêmur, operado de urgência e com uma longa recuperação e com nova cirurgia marcada para cerca de 10 meses após a queda.

Foi o adiar deste projecto pessoal, para 2 possiveis datas, 27 de Setembro ( exactamente um ano após a queda ) ou 5 de Outubro, um dia após os anos do meu grande amigo, Nuno Jalles, que tanto me ajudou a ultrapassar da melhor maneira possível este e outros momentos menos bons, um exemplo a seguir, quer pela sua maneira de ver o mundo quer pela sua genuina preocupação com o próximo

Pelo menos não vai sozinha no saco, não cabe nem mais uma agulha

 

Índia e os seus Himalayas

 

Feito a mala da Bicicleta com tudo o que vou precisar para a prova dos Himalayas, assim o espero. Fica a faltar a mala que levo comigo como bagagem de mão, com a roupa do dia-a-dia e a ropa para os dias de Trekking em Kashmir

 

Assustado, pois ainda tenho muitas coisas por tratar e o tempo têm passasdo a correr, para onde foram estes últimos 3 meses?