Dia 0

" Twenty years from now you will be more disappointed
by the things you didn’t do than by the ones you did do...
Explore. Dream. Discover."
- Mark Twain -

 

Porquê esta Viagem?

Tenho reflectido um pouco sobre o porquê, acho que houve um momento decisivo para esta decisão, embora a semente tivesse sido plantada aquando da viagem do meu irmão, terá sido o dia em que fui visitar a minha avó a uma conhecida casa de repouso na minha zona, vista para o mar,  bons cuidados médicos, serviços tipo Hotel, tudo o que o conforto financeiro pode comprar, mas que nada significam para quem já vive entre dois mundos, o do real, com alguns poucos momentos de lucidez e o do irreal, infelizmente, este com cada vez mais frequência, desde esse dia que não parei de pensar, quero fazer algo que me marque, que me faça sentir vivo, que me tire da minha zona de conforto, que altere rotinas, que me desafie, que satisfaça esta curiosidade imensa de conhecer, outras culturas, maneiras de estar na vida diferentes, como os Avincii cantam na música, The Nights, One day you'll leave this world behind So live a life you will remember"


Nestes últimos tempos tenho aprendido algumas coisas sobre mim, sou hoje uma pessoa mais de experiências, como a que tive na Herdade do Freixo do Meio, como as provas de bicicleta que me põem constantemente à prova, física e psicologicamente, se me perguntarem o que comprei em 2012, não sei, mas se a pergunta for o que fiz nesse mesmo ano, Transportugal, extremo norte até ao extremo sul, de bicicleta em 9 dias, que aventura, são nos momentos que nos poêm à prova que realmente nos conhecemos, os bens materiais, embora sejam importantes e são eles que me permitiram embarcar nesta odisseia, cada vez mais me dizem menos,

Dois dados curiosos, feitas as primeiras consultas, http://www.airtreks.com/split-home/ para um bilhete prévio com cerca de 12 voos, todos internacionais, o preço andaria entre os 3000 e os 3500 euros, o júri ainda não decidiu em relação a esta opção, a ideia de conjugar avião, comboio, barco, autocarro e quem sabe, talvez bicicleta, não estar amarrado a uma determinada rota vai mais ao encontro daquilo que pretendo, embora tenha que ter algum planeamento, pois os vistos assim o exigem, talvez compre alguns voos e o restante, conforme vou andando.
Os gastos com estadia, alimentação e alguns extras como, actividades, visitas fora da rota planeada, entradas em museus, templos, etc..serão sempre inferiores aos que tenho em casa, isto conjugando alguns países com custo de vida relativamente barato como a Turquia, Tailândia, Birmânia, Indonésia, Colômbia,  com países onde o custo de vida é superior ao nosso, Austrália, Taiwan, Japão, Estados Unidos.

Porquê agora?
Porque a vida não pará, porque estamos sempre a adiar decisões, porque quero fazer esta viagem enquanto tenho disponibilidade física, porque é o realizar de um sonho, porque tenho o melhor irmão do mundo que durante os próximos meses vai acumular o seu e o meu trabalho no alentejo, para quando chegar à idade da contemplação, olhar para trás e saber que o fiz, que não adiei, que levei esta aventura a bom porto.
Com isto tudo, não quero dizer que são só certezas, não, por vezes tenho algumas dúvidas que me assaltam a mente, estarei a fugir de algo? penso que não, como é possível fugir dos que mais gosto, da minha Mãe, do meu querido Irmão que se sacrificou para eu levar este sonho a bom porto, dos meus Sobrinhos, que são hoje responsáveis por crer constituir família, algo que me era estranho até à bem pouco tempo, dos meus amigos, como o André e o João, a ligar-me assim que o guincho apresenta condicões minimas, do Nuno a desafiar-me para uma próxima aventura, seja em casa, Melides, Ronda ou Himalayas, do sentido de humor do Paulo, que tanto aprecio, das discussões com o Cristovão sobre desporto, economia, politica, durante o passeio Casa-Mafra-Casa, do Tiago a convocar-me para um fim de semana de pândega, cada vez mais raro e com recuperacções mais lentas, do Jolas a tentar-me convencer que, se a festa descambar, é melhor ficar junto dele, pois é dos mais ajuizada presentes,  das festas M´s, do medronho caseiro da Mariana e do Jorge, das pessoas que tenho conhecido ao longo da vida e que me são queridas, do meu País, o qual por vezes falo mal, mas que adoro,não creio que seja fuga.Será está a altura ideal para a fazer? nunca é a altura ideal, adiamos sempre por esta ou por outra razão. Serei uma pessoa diferente depois desta viagem? como li algures, as viagens de longa duracção servem para nos conhecermos melhor, tira-se o que nos é confortável, conhecido, habitual, as rotinas, etc...e coloca-nos fora da nossa zona de conforto, onde tudo é novo,  por vezes imprevisivel , desconhecido e faz nos reagir e interagir como realmente somos, sem qualquer tipo de filtros, as viagens servem para conhecer novas realidade, outras pessoas, culturas diferentes mas também servem para nos conhecermos melhor, por vezes ainda com mais dúvidas, mas é com este espirito que parto para esta jornada e pronto a aceitar o mau e o bom desta experiência, com a esperança que os " high" sejam muito superiores aos "low" momentos

Kind regards

Rodrigo Ribeiro da Cunha